Carona é recurso solidário e inteligente

Por Pro Coletivo

Por uma questão histórica e cultural, que remete à implantação da indústria automobilística no Brasil, no final dos anos 1950, somos todos “carro dependentes”. Usamos o carro na maior parte das vezes sozinhos (a média brasileira é 1,4 pessoa por veículo) e em ocasiões em que ele poderia ser dispensado (por exemplo, para ir à padaria da esquina).

Essa cultura do automóvel – que começou no governo Juscelino Kubitschek, com o sucateamento das ferrovias e o investimento em rodovias, para favorecer a indústria automobilística – fez com que as cidades fossem planejadas em função do carro, e não das pessoas. Hoje sofremos com congestionamentos, poluição, e precariedade do sistema público de transportes, historicamente carente de atenção.

E outro probleminha se acentuou: símbolo de liberdade exportado pelos EUA, o carro virou no Brasil um ícone de status e poder, exaltado pela publicidade, pela televisão e até pelos governantes. Isso trouxe uma grande barreira cultural, recheada de preconceitos: muitas pessoas ainda associam o uso do transporte coletivo ao fracasso econômico, um pensamento que ajuda a travar ainda mais a nossa mobilidade.

A importância da coletividade

Lá fora isso é diferente. Em Copenhague e Amsterdã, por exemplo, mais da metade da população usa a bicicleta para trabalhar; em Tóquio, Paris, Londres e Nova York, pessoas de diversas classes sociais priorizam diariamente o transporte coletivo. Nesses lugares, o deslocamento é estudado, programado e orientado com políticas públicas e campanhas de educação. A mobilidade é compreendida como algo que pode influenciar a saúde dos cidadãos e das próprias cidades.

Aqui, o investimento no transporte público é negligenciado em prol do carro. Mas até essa máquina pode ser usada de forma eficiente: levando mais pessoas. A carona, aos poucos, começa a fazer sentido para a população brasileira. E isso é positivo. Já que temos uma frota imensa de carros, que ela então seja empregada com inteligência.

Segundo a plataforma de caronas BlaBlaCar, empresa francesa que está no Brasil desde 2015, a busca por caronas nesse Carnaval teve um aumento de 100% em relação a 2018. Entre a segunda-feira antes do Carnaval e a quarta-feira de cinzas 90 mil novos membros foram cadastrados na plataforma, que conta com mais de 3 milhões de integrantes no Brasil. Um sinal positivo, sem dúvida. A carona é um hábito que pode ser construído no ambiente de trabalho, nos próprios condomínios residenciais e nas escolas, aumentando a ocupação dos carros, diminuindo o gasto financeiro e contribuindo para melhorar a mobilidade das cidades brasileiras.

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