Mineiro em risco

Por Carlos Lindenberg

O ministro Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo, entrou também na linha de tiro, depois da atrapalhada exoneração do ministro Gustavo Bebianno da secretaria-geral da Presidência da República, segunda-feira. Bebianno foi acusado pela Folha de S. Paulo de ter financiado candidaturas laranja em Pernambuco. Marcelo Álvaro Antônio também foi. Dessa denúncia envolvendo Bebianno resultou um bate-boca entre o então ministro e o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, numa das coisas mais bizarras dos últimos tempos na política brasileira. A certa altura, depois de o vereador chamar o agora ex-ministro de mentiroso, Jair Bolsonaro e Bebiano entraram numa troca de mensagens pelo WattsApp que bem retrata a confusa condução política do atual governo.

Ocorre que com a demissão de Gustavo Bebianno, já que ambos, ele e Marcelo, teriam cometido a mesma suposta ilicitude, a cabeça do ministro do Turismo, deputado e nascido em Belo Horizonte, passou a ser cobrada por assessores palacianos, que não viam sentido em um ser punido com a exoneração e o outro manter-se no cargo. A menos que Bebianno não tenha sido exonerado pelos candidatos laranja, mas por ter sido desautorizado pelo filho do presidente ao dizer que no dia 12 de fevereiro ele, o então ministro, falara três vezes com Bolsonaro. Trechos dessa conversa, no entanto, foram vazados na terça-feira última e confirmaram que de fato Bebianno e Bolsonaro se falaram por três vez no dia 12 e que, portanto, quem estava mentindo era o vereador, respaldado, porém, pelo pai – o que tornou a situação mais grave,

Ontem, o ministro do Turismo e o presidente Bolsonaro se encontraram no Palácio do Planalto e Marcelo saiu sem falar com a imprensa. É possível que nessa conversa Marcelo Álvaro Antônio tenha convencido o capitão-presidente de que não cometeu nenhuma ilegalidade ao financiar a campanha de uma candidata laranja – assim como Bebianno explicou que o diretório nacional, do qual ele era presidente, manda o dinheiro para o diretório estadual e é este quem deve prestar contas do que fez com o dinheiro e não o nacional. De qualquer forma, a situação do ministro do Turismo é delicada, até passar a trovoada, pelo menos. A não ser que, de fato, quem demitiu Bebianno, como ele diz, não foi o presidente, mas o seu filho, vereador no Rio de Janeiro.

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