Aécio e a sentença de Tasso

Por Carlos Lindenberg

A sentença é do senador Tasso Jereissati, ex-presidente nacional do PSDB: “Aécio já prejudicou demais a imagem do partido. É preciso dar um jeito nisso”. A queixa do senador Jereissati parece refletir a decepção do partido com o rol de fatos negativos que vem estreitando a carreira do ex-candidato tucano à presidência da República – auge e início da derrocada do herdeiro do clã dos Neves. Com efeito, vem daí o mandato de busca e apreensão que movimentou a Polícia Federal anteontem em Minas, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, numa operação iniciada em 2016 quando diretores do grupo JBS gravaram Aécio, sua irmã Andrea e o primo Fred, este flagrado correndo com uma mochila de dinheiro nas mãos, numa das cenas mais torpes da política brasileira.

A Polícia Federal, que pediu a prisão de Aécio e dos demais investigados – pedido recusado pelo solícito ministro Marco Aurélio Melo – acusa o senador mineiro de montar em 2014 um caixa formado pela empresa J&F para financiar a sua campanha à presidência, com a cooptação de vários partidos. Para tanto, segundo a Polícia Federal, que investiga esse caso a partir da delação de Joesley Batista, Aécio recebeu do dono da JBS R$ 109 milhões para dividir com o Democratas, o PTB e o Solidariedade. Por isso Aécio, o senador José Agripino (DEM), a deputada Cristiane Brasil (PTB), além do deputado Paulinho da Força (SD) foram chamados a depor para novas investigações que incluíram apreensão e buscas nos apartamentos de todos eles. Aécio, no entanto, não compareceu. E o que é curioso. Em casos semelhantes, a PF costuma prender os suspeitos. Neste não, foram apenas chamados a prestar depoimento – o que é o correto, mas deveria valer para todos.

Na verdade, a investigação da PF imputa ainda ao senador outras suspeitas, como a de que recebeu mais R$ 64 milhões, dos quais teriam saído dois milhões para a campanha de Anastasia em 2014, não sendo menos grave, a revelação de que Aécio teria pedido a Joesley R$ 18 milhões para pagar restos da campanha e mais R$ 17 milhões para pagar a compra do antigo prédio onde funcionava o jornal Hoje em Dia, em Belo Horizonte, comprado por um amigo de Aécio, de nome Flávio, além de uma mesada mensal de R$ 54 mil que saia da Rádio Arco-Íris – da família Neves – por meio de notas frias. A advertência de Tasso Jereissati – “Aécio já prejudicou demais a imagem do partido”– pode resultar em penalidades partidárias para o irrequieto senador mineiro, que nega tudo.

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