Governo em formação

Por Carlos Lindenberg

O presidente eleito Jair Bolsonaro continua surpreendendo. Sobretudo àqueles que desconhecem o DNA de seu governo ainda em formação. Ontem, o vice eleito, general Hamilton Mourão, um dos vários porta-vozes do novo governo, que, por sinal, não tem nenhum, anunciou em Belo Horizonte que a pastora evangélica Damares Alves teria aceito o convite para assumir o ministério dos Direitos Humanos. Se confirmada a informação do vice, estaria faltando apenas o ministro do Meio Ambiente para completar a equipe com a qual Jair Bolsonaro vai governar. Seriam, portanto, 22 ministérios e não os 14 anunciados durante a campanha pelo então candidato do PSL – sete a menos do que os atuais 29 do emedebista Michel Temer.

Como Bolsonaro vem criticando muito o nível de exigências do Meio Ambiente para aprovação de licenças próprias da pasta, é de imaginar que ele deverá escolher alguém que tenha uma visão menos alinhada com o pensamento conservacionista até aqui vigente. Azar da Amazônia e de outros biomas. Mas o que tem preocupado o futuro governo neste momento, ao que parece, é a denúncia do ministro Edson Fachin contra o futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, acusado de receber dinheiro do grupo JBS no sistema ilegal de caixa dois. Bolsonaro reafirmou ontem que não nomeará ninguém suspeito de corrupção, por mais leve que seja, na sua equipe. E ontem o general Mourão voltou a reafirmar que se for confirmada a “ilicitude, é óbvio que o ministro Lorenzoni terá que se retirar do governo”, mas ressaltou que a investigação continua.

Já para o general Heleno, futuro chefe do Gabinete Institucional, a coisa não é tão grave assim. O militar diz que a citação de Lorenzoni como recebedor de dinheiro de caixa dois do grupo JBS (o mesmo que denunciou o senador Aécio Neves) “não é elogiável”, mas não prejudica a futura gestão, criando uma pequena discrepância com o que acha do mesmo episódio o vice eleito, Hamilton Mourão. Mas nem isso causa estranheza num governo em formação, menos ainda para quem conhece a gênese desse governo que passará a comandar o país a partir de primeiro de janeiro.

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