Minas no Planalto

Por Carlos Lindenberg

Treze anos depois de um mineiro tentar a presidência da Câmara dos Deputados, um outro montanhês busca o mesmo objetivo. Daquela vez, em 2005, em pleno governo Lula, o candidato foi o deputado do PT, Virgílio Guimarães; agora é a vez de Fábio Ramalho, do MDB. Mineiro de Malacacheta, Ramalho tenta alcançar o topo de onde já marcaram presença – e que presença – mineiros do naipe de Pedro Aleixo, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, seu sobrinho José Bonifácio, Bilac Pinto e Geraldo Freire, entre outros. Fábio Ramalho, também conhecido entre seus pares como Fabinho Liderança, é o atual primeiro- vice-presidente da Câmara e terá pela frente, entre possíveis outros nomes, o atual deputado Rodrigo Maia (DEM), que preside a Câmara desde que substituiu seu conterrâneo Eduardo Cunha, em 2016. Na verdade, e para não ficar sem registro, o último mineiro a presidir a Câmara foi Aécio Neves, em 2001, que voltou à condição de deputado. Quatro anos depois de Aécio, com Lula já presidente, o mineiro Virgílio Guimarães resolveu desafiar o PT e o próprio governo e se lançou candidato avulso, disputando contra o paulista Luiz Eduardo Greenhalgh – o favorito do Palácio. Com o racha, quem ganhou foi o pernambucano Severino Cavalcanti, posteriormente cassado pelos próprios pares.

De lá para cá, nenhum outro mineiro se dispôs a disputar a presidência da Câmara, desafio a que se dispõe agora Fábio Ramalho, dotado de grande popularidade entre os seus colegas, graças ao estilo franco e aberto com que dialoga com todas as bancadas. Ramalho enfrentará uns nove pré-candidatos, mas colocou na cabeça duas coisas: primeiro, não é candidato para barganhar cargo na mesa; segundo, não está procurando os caciques para fortalecer sua candidatura, mas os que se colocam no escalão intermediário ou até mesmo no baixo clero – de onde ele vem – sustentando o discurso de que sua estratégia se baseia na defesa da Instituição, com a frase feita de que “a Câmara, não será puxadinho de ninguém não”, e com a atitude de que foi o único deputado que acusou o procurador Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público por ofensas a um dos Poderes da República – justo a Câmara dos Deputados. Não estranhem se Fabinho Liderança ganhar essa batalha. Na linguagem pouco parlamentar, ele é “casca grossa”, isto é, gosta de uma boa briga, embora construa sua trajetória mais nos bastidores que nos ringues.

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