Minas, um caso à parte

Por Carlos Lindenberg

Minas Gerais é um caso à parte quando se trata de política. Onde mais poderia acontecer de um empresário absolutamente neófito em política, a despeito de vitorioso em seus negócios, sair de Araxá, famosa pelas suas águas termais e pelo Grande Hotel frequentado por ninguém menos que o antológico Getúlio Vargas, para derrotar um governador a caminho da reeleição e um senador que já foi governador do Estado? Só Minas, com suas bizarrices, suas histórias fantásticas e seu passado sempre em busca do futuro, para fazer com que Romeu Zema derrotasse Fernando Pimentel e Antonio Anastasia juntos, passasse para o segundo turno em primeiro lugar e ganhasse em todas as regiões do Estado.

No segundo turno, o novato na política deixou o ex-governador tucano com não mais do que 21 das 853 cidades, na maior vitória que alguém pudesse obter num Estado essencialmente político como o nosso em que apenas 14 famílias governassem os mineiros por vários séculos seguidos – quem quiser saber mais que leia “As famílias governamentais de Minas Gerais”, de Cid Rabelo Horta.

Pois foi assim que Zema ganhou no último 28 de outubro. É evidente que não foi um milagre como muitos podem pensar. Romeu Zema, na verdade, simplesmente não deixou que o cavalo passasse arreado sem nele montar. Ou seja, Zema apareceu na hora certa, no momento exato, revogou a certeza de que vence uma eleição quem erra menos – ele errou demais – mas mesmo assim errou menos que os adversários, que se preocuparam em demasia um com o outro e esqueceram de que o cavalo montado por Zema atropelava por fora, para usar uma linguagem do turfe, e acabou atravessando a linha de chegada com folga jamais vista numa eleição mineira.

Agora, é descer do palanque, montar a equipe de governo e governar, sem querer reinventar a roda. E se possível esquecer essa história de criar no Palácio das Mangabeiras um Museu da Mordomia, até por que de Palácio o velho Mangabeiras não tem nada.

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