Qual foi sua última loucura?

Por Rubem Penz

A sanidade nos guia, mas é a loucura que nos move.

Concorda? Discorda? Vou piorar as coisas: nem sempre sabemos qual é qual durante a vida. Por exemplo, gerar um filho. À luz das circunstâncias, dar à luz pode ser considerado uma loucura – uma vida que dependerá da gente por muito tempo, drenará nossos esforços, diminuirá nossa autonomia, roubará nosso sono. Mas não há atitude mais lúcida do que deixar legado: filhos serão o que fica de nós no tempo, como somos nossos pais – a ordem natural da vida. Outra aparente loucura é dar uma guinada profissional depois de ter conquistado a estabilidade. E tenho, na quase totalidade das pessoas que conheço com essa coragem, apenas relatos de certeza no movimento. Ou seja: insensatez era permanecer infeliz.

O amor nos guia e apaixonar-se é uma loucura; as realizações nos guiam e a ambição é uma loucura; o aprendizado nos guia e a curiosidade é uma loucura. O equilíbrio nos guia. Porém, nem mesmo um simples passo será dado sem forçar o desequilíbrio do corpo. O desequilíbrio é nossa loucura sã, nosso motor, o que nos faz vigilantes e audazes. O vento que sopra na vela, o problema que exige criatividade, a dor para nos fortalecer. Andar dezenas de quilômetros por dia com uma mochila nas costas é uma loucura? Os peregrinos do Caminho de Santiago de Compostela o fazem em busca de autoconhecimento e paz interior. Correr 42 quilômetros é uma loucura? Os maratonistas amadores reconhecem neste desafio uma oportunidade de prumo. Os parâmetros são elásticos quando a sanidade nos guia e a loucura nos move.

E você, aí do outro lado desta crônica – qual foi sua última loucura? Qual movimento deu sentido à existência, qual decisão veio com um friozinho na barriga? Nada?
Confesso que eu, de tempos em tempos, dou uma ensandecida. Melhor – carrego pessoas comigo, ofertando a rara lucidez do entusiasmo. Neste sábado mesmo, na madrugada do horário de verão, tem uma doidice programada: “Virada Santa Sede Pueblo 595”.

Liderarei um grupo disposto a começar a escrever à meia-noite e só parar no alvorecer, e cujo resultado sairá em um livro. Todos – TODOS –, quando souberam da proposta, foram unânimes: isso é uma loucura! E a turma começou a se formar. A boa notícia é que ainda há vagas para o caso de você, que gosta e sabe escrever, aderir. É grátis (outra loucura). Bem o que você esperava para sair do marasmo, né? Escreva para mim, então.

Contenido Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo