Dia do Juízo Final

Por Carlos Lindenberg

Está ficando clara a estratégia do candidato Romeu Zema, do Novo. Com 34 pontos percentuais à frente de Anastasia, segundo o último Ibope, é evidente que Zema não quer gastar cartucho atoa. E por isso tem faltado aos diversos debates para os quais tem sido convidado. Na verdade, desde o primeiro debate promovido pela Band, Zema não tem tido uma boa performance nesse tipo de coisa, embora só tenha crescido. Acho até que Anastasia se preocupou com Pimentel, que tentava a reeleição, e se esqueceu de Zema, repetindo o erro de Aécio Neves em 1992. Naquele ano, disputando a prefeitura de Belo Horizonte contra Maurício Campos, Patrus Ananias e Sérgio Ferrara, entre outros, Aécio preparou-se para enfrentar os ex-prefeitos Maurício e Sérgio Ferrara, mas foi surpreendido por Patrus Ananias, que ganhou a eleição no segundo turno ao disputar contra Maurício. Agora pode estar acontecendo coisa parecida. Anastasia e Pimentel se preocuparam um com o outro e esqueceram de Romeu Zema, um empresário novato na política, vindo de Araxá, que acabou surpreendendo ao se beneficiar do esquema digital de Bolsonaro, o mesmo que elegeu o senador Carlos Viana e derrotou Pimentel e Dilma – por que este era o objetivo – além de se apresentar como alguém que se opunha ao que se convencionou chamar de velha política. Pois bem, a pesquisa Ibope cravou 67% para Romeu Zema e 33% para Anastasia, em votos válidos.

A expectativa agora é saber se Zema vai ao debate da TV Globo, hoje. Bolsonaro, por exemplo, não irá, mas a Globo suspendeu o debate e com isso o favoreceu. Pelo último Ibope, Bolsonaro lidera a campanha eleitoral com 57% das intenções de votos e Fernando Haddad tem 43%, em votos válidos. Ou seja, uma diferença de 14 pontos, enquanto a frente de Zema aqui em Minas é de 34 pontos percentuais sobre Anastasia. Em votos totais, a diferença de Bolsonaro para Haddad é menor ainda, soma 13 pontos. Bolsonaro tem 50 pontos percentuais e Haddad 37, sendo que Bolsonaro perdeu dois pontos e Haddad ganhou dois na última pesquisa de terça-feira. No levantamento anterior, a diferença que hoje é de 14 pontos, era na verdade de 18 pontos: Bolsonaro tinha 59 por cento e Haddad 41 por cento dos votos válidos. Essa mexida nos números parece ter dado ânimo novo na campanha de Haddad, que fica agora dependendo das próximas pesquisas, a quatro dias do Juízo Final.

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