Romero, Hermes, Sassá

Por Cadu Doné

Dois dos técnicos mais icônicos da história do futebol, Alex Ferguson e Arsène Wenger protagonizaram por anos umas das maiores rivalidades envolvendo treinadores que o esporte já viu. E se a tensão na beira do campo era cortante, exasperante, nos clássicos entre ambos, em aspectos que poderiam ser vistos como miudezas estas duas referências discordavam. Um exemplo: o escocês privilegiava, na escolha dos seus laterais, a capacidade de defender no segundo pau – enquanto o francês costumava preferir atletas ofensivos, habilidosos, nesta posição.

Marcelo Hermes tem sido duramente criticado nos últimos tempos. Pouco se nota, contudo, que talvez o principal defeito apresentado por ele em partidas recentes deixaria Ferguson ainda mais careca: numa típica briga de segunda trave em lançamento longo, o lateral celeste perdeu disputa simples contra Erik – ex-Atlético –, do Botafogo – baixa estatura, franzino, não é centroavante típico, não é forte nesse tipo de jogada –, no tento sofrido pela Raposa. Contra o Galo, no empate pelo Brasileirão, no começo do jogo, Luan fez a diagonal pela direita do ataque, chegou à frente de Hermes, cabeceou livre e só não fez o gol porque Rafael salvou: nova falha exatamente no fundamento ao qual estamos nos dedicando a examinar. Outros casos similares aconteceram.

Mano me parece extremamente competente, inclusive, para cuidar destes pontos, corrigi-los em seus comandados. Por motivos e circunstâncias diversas, entretanto, nem sempre o atleta consegue executar… Romero, enquanto lateral, já pecou por abandonar em demasia e incorretamente a primeira linha. Mano sabia do problema e em grande escala o corrigiu – méritos, óbvio, também para o jogador. Por essas e outras, por mais que o argentino não esteja habituado a atuar pela esquerda, o elegeria como titular na final desta quarta.

Tendo em vista os prováveis desdobramentos do embate, Sassá teria tudo para ser especialmente útil em Itaquera – Corinthians obrigado a sair um pouco mais, lacunas que possivelmente, em alguma medida, por isso surgirão nas costas dos zagueiros (ao contrário do que ocorrera em boa parte do primeiro jogo)… Raniel também é rápido, centroavante mais afeito a esse cenário de mais espaços do que Barcos – em teoria, mais adequado para realizar o pivô, parar a bola para quem vem de trás chegar e ajudar a furar os bloqueios de uma defesa muito montada –, mas talvez seja, hoje, menos firme, menos consistente do que Sassá. Logo, o dublê de Maguila pode fazer falta não só por sua qualidade e mesmo que o Cruzeiro tenha boas alternativas para o setor. Aliás, que lhe tenha sido negado o efeito suspensivo levando-se em conta a jurisprudência, o modus operandi que reina no direito desportivo brasileiro, soa controverso. Considerando o que a lei deveria ser, no mundo ideal, este tipo de artifício não haveria de caber em situações assim; que seja aceito nos outros casos, e não neste… Critérios curiosos, duvidosos…

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