Bonde da história e janelinha

Por Rubem Penz

Ainda sob o impacto do Dia do Professor – parabéns, mestres! – e em meio ao pleito de segundo turno – atenção, candidatos! –, julguei importante falar de um presente antecipado que recebi: participar da Semana do Bonde Andando 2018. Grande surpresa os organizadores deste Seminário dos Pós-Graduandos do PPGL/PUCRS
imaginarem que eu poderia contribuir com a análise de trabalhos de mestrado e doutorado em curso. Espero atendido às expectativas (se eles não tinham, eu tinha muitas). Muito obrigado, Julia Dantas.

Neste bonde em que sentei na janelinha tive a visão privilegiada das propostas (engajada) de Davi Boaventura e (provocativa) de Luís Roberto Amabile, ambos em doutoramento e orientados pelo professor Paulo Ricardo Kralik Angelini. Sob orientação de Ricardo Araújo Barberena, os doutorandos Reginaldo Pujol Filho e Tatiane Santi Martins apresentaram projetos ousados: o primeiro (bem) casado com as artes plásticas, o segundo dialogando com a literatura africana. Por fim, a mestranda Gisela Rodriguez relatou a conclusão do romance “Breve como tudo”, com Antônio Hohlfeld na orientação. Pena a sala não estar lotada.

Mas, seria isso digno de nota? Ah, é. E muito.

Você, caro leitor, que está no carro, no ônibus, no escritório; consultório, repartição ou parque, pode até não fazer ideia, mas aqui na mesma – e triste – Porto Alegre em que minguam algumas inclinações históricas, pulsa forte um coração vocacionado para a cultura em geral, literatura em particular. Nossas universidades de modo resistente, muitas vezes heroico, posicionam-se entre as instituições mais respeitadas das Américas e, assim, deixam o Rio Grande do Sul bem colocado em rankings positivos. Urge ofertar aos protagonistas desta imensa produção o devido valor, se não por justiça, ao menos por interesse. Arte é um bem de difícil mensuração, mas de grande valor agregado.

Sonho com um status tão elevado quanto se deva dar para a agricultura, indústria e comércio ofertado à educação, cultura e turismo. Produzimos uma música referenciada, nosso teatro é atuante (inadvertido trocadilho), o polo de cinema brilha – e as artes plásticas nem se fala –, a arquitetura é rara. Respiramos dança, folclore, gastronomia… Vivemos em uma das mais belas e curiosas capitais do Brasil, tão diversa quanto desperdiçada. Três ínfimas horas na PUC bastaram para que eu voltasse a lembrar de nossas façanhas, rogando para sirvam de exemplo aqui, em nossa terra. O momento de estufar o peito e bradar: a cultura nos molda e qualifica.

É assim que o país nos vê. Não percamos o bonde da história!

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