Segredos para final

Por Cadu Doné

Ao contrário do clichê disseminado com veemência por aí, o principal problema do Cruzeiro não tem sido dificuldade para propor o jogo. A imprecisão na escolha e na execução das ações nos instantes decisivos, quando a equipe está próxima da meta adversária: este sim vem sendo o defeito primordial – que cai mais na conta dos atletas do que do treinador. Com boa frequência a equipe até controla, em considerável medida se impõe, cria, mas o acabamento no terço final… Neste aspecto, Thiago Neves é um dos que mais falha, inclusive na tomada de decisão de cara para o gol, no momento em que ele mesmo haveria de arrematar.

Pela 1ª vez em tempos recentes a Raposa abrirá um mata-mata em casa. Se tivermos em mente o intento de provar-se contundente, de tentar uma vantagem mais clara em BH, e o fato de que o Corinthians deve se fechar, para ser mais efetivo na construção e não sucumbir diante de uma marcação tão forte quanto possivelmente competente, os comandados de Mano podem aplicar algo que fizeram no começo do duelo final contra o Atlético, e nem tanto na eliminação frente ao Boca: laterais abrindo, dando amplitude subindo ao mesmo tempo; liberdade para os “pontas” flutuarem pelo centro de modo a confundir os oponentes e dando superioridade numérica no setor. O PSG, na goleada contra o Estrela Vermelha pela Champions – eu sei, eu sei… –, utilizou inteligentemente este artifício. Di Maria e Mbappé, os homens de beirada – Neymar atuou mais centralizado, como uma mistura de armador e segundo atacante, ao contrário do que fizera na derrota para o Liverpool –, afunilavam, se “espremiam” para dialogar com o brasileiro e Cavani, aumentando a compactação, a chance de tabelas e triangulações. Para não perder opções pelos flancos, para não embolar o jogo excessivamente pelo meio, porém, os dois laterais atacavam “espetados”, ao mesmo tempo, com assiduidade muito grande.

Outro recurso que o escrete cinco estrelas poderia empregar na procura por um placar que concederia razoável tranquilidade é o da marcação pressão. Aí entra nova dificuldade do elenco atual: as peças escolhidas para o quarteto ofensivo muitas vezes possuem sérios limites físicos para a concretização deste expediente com o mínimo de força e frequência. Barcos, Robinho e Thiago Neves, usualmente titulares, não são exatamente os nomes ideais para esta ideia que exige certa intensidade. Raniel é bom nisso, incomoda bastante os zagueiros na saída de bola. Uma referência interessante, caso os atletas consigam dar um gás para este tipo de estratégia, deu as caras no empate entre Liverpool e City no fim de semana. O cotejo entregou menos do que imaginava-se, é verdade. Ainda assim, digna de nota foi a maneira com que, sobretudo em larga parte da etapa inicial, o trio Salah, Mane e Firmino infernizava os zagueiros/volantes dos Citizens – a coordenação dos movimentos dos três nesse combate, saindo na hora certa, do jeito exato…

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