2º turno à vista

Por Carlos Lindenberg

Nesta reta final, a três dias das eleições, é um número em cima do outro, ora confirmando ora desmentindo. Enfim, é o momento sagrado do voto. A última pesquisa do Ibope, divulgada ontem, mostra uma ligeira queda de Jair Bolsonaro e uma pequena elevação de seu concorrente mais próximo, Fernando Haddad, tudo dentro da margem de erro. Mas com o resultado de ontem, Bolsonaro com 32% e Haddad com 23%, a “a boca do jacaré”, que havia sido escancarada no dia anterior com o Datafolha, voltou a fechar um pouco. E vai ser assim até domingo, abrindo ou fechando, até porque com os dados de ontem haverá segundo turno para a Presidência da República.

E por que se diz que haverá segundo turno, levando-se em conta a pesquisa do Ibope de ontem? Por que considerando os votos válidos – sem contar nulos e brancos – Bolsonaro e Haddad tem respectivamente 38% e 28% das intenções de voto. Com isso, haverá segundo turno porque a disputa só estará decidida no primeiro turno se um dos candidatos conseguir 50% mais um dos votos validos. A menos que daqui até domingo haja uma onda a favor de qualquer dos dois lideres de forma que um deles atinja na contagem das urnas esse total.

Mas assim como o Datafolha de terça-feira, que primeiro apontou Bolsonaro rompendo a casa dos 30% – até então ele estava paralisado em 28 pontos percentuais – nenhum dos dois institutos conseguiu explicar o que levou Bolsonaro a romper esse patamar. A única explicação é de analistas que apontam para o início da migração de votos de candidatos conservadores para Bolsonaro, como Geraldo Alckmin, Meirelles, e João Almoedo, por exemplo, já que todos eles perderam pontos nessa pesquisa em relação às anteriores. E um pouco à campanha de desconstrução do PT feita por Ciro Gomes no afã de ocupar o lugar de Haddad no segundo turno, já que ele seria o único, segundo o Ibope, capaz de derrotar o capitão com alguma folga. Nesse sentido, a campanha de Ciro contra o PT, Lula e Haddad é tão forte quanto a de Bolsonaro ou de Geraldo Alckmin, embora tenha sido o capitão quem ocupou a posição de antipetista desde o primeiro momento, com o que ocupou o centro do ringue como se diz no boxer. Por último, Bolsonaro avisa que não vai participar do debate promovido pela Rede Globo, usando para isso um atestado médico. Um desperdício, porque todos sabem que ele, ainda que estivesse bem de saúde, não participaria.

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