Uma nova eleição

Por Carlos Lindenberg

A entrada do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), no lugar do ex-presidente Lula (PT) na corrida presidencial dá uma feição nova ao quadro e empresta contornos novos à sucessão. A começar pelo simples fato de que Lula é Lula, e vinha liderando todas as pesquisas eleitorais. E Haddad, que era o vice, acaba assumindo a cabeça de chapa depois de vir de uma derrota quando tentou a reeleição para a prefeitura de SP. A situação política do país era outra, o impeachment estava em andamento e o partido de Haddad pagava a conta, de maneira que o que importa agora é uma outra coisa.

E o que importa? Importa saber qual o potencial de transferência de votos de Lula para Haddad. Ora, Lula teve na última pesquisa do Datafolha que participou, em agosto, 39% das intenções de votos – praticamente o dobro do 2º colocado, o deputado Jair Bolsonaro (PSL). E, mais atrás, Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e os demais; entre os quais, Haddad, ainda vice de Lula, com 4%. O mesmo Datafolha informou que 25% dos pesquisados transfeririam o voto para o ex-prefeito de SP, sem pestanejar; outros 16% poderiam fazer o mesmo. Ora, somando os que seguiriam o desejo de Lula com a metade dos que poderiam fazer o mesmo, isso já daria para Haddad nada menos de 41% de intenções de voto; ou seja, quase o mesmo índice que Lula obteve.

Pois bem. Nas duas últimas pesquisas em que Haddad esteve presente, tanto do Ibope quanto a do Datafolha, ambos após o ataque a Bolsonaro, o ex-prefeito de SP já havia dobrado a intenção de votos, de quatro para oito ou nove, a depender do Instituto, empatando no segundo lugar com Ciro Gomes, Marina Silva e Alckmin – e não era o substituto oficial de Lula, ainda que a liderança das pesquisas já estivesse em poder de Bolsonaro. Aliás, ao contrário do que se imaginava, o deputado não ganhou praticamente nada do ponto de vista eleitoral com o ataque: ele saiu de 22% para 26% no Ibope e de 22% para 24% no Datafolha – em cujas pesquisas o que vale para análise não é o número absoluto, mas a tendência captada; os dois acertaram no crescimento e queda dos presidenciáveis, configurando tendências. Em suma, é preciso acompanhar com lupa as próximas pesquisas pois elas, sim, poderão dar os contornos esperados pelo PT, especialmente com a efetivação da troca. Mas que a eleição ganhou feição nova, ganhou.

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