PT vai de Haddad

Por Carlos Lindenberg

Candidato a vice do ex-presidente Lula na chapa que concorre à eleição presidencial vetada na madrugada do último sábado, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad,  vai pedir ao Comitê dos Direitos Humanos da ONU que advirta o Brasil por não ter cumprido sua recomendação de manter a candidatura de Lula. Com isso, o PT mostra que não vai aceitar passivamente a decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Ao mesmo tempo, ao fim de uma visita ao ex-presidente na prisão de Curitiba, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffman, garantiu que o partido vai agora ao Supremo para derrubar a decisão do TSE. De fato, a defesa de Lula fez isso, mas é possível que por uma posição de cautela; isso porque ontem o próprio Haddad anunciou que dia 11 o PT trocará a chapa, colocando-o como cabeça.

Na ONU, o PT vai dizer que a justiça brasileira não respeitou a decisão do Comitê dos Direitos Humanos de permitir a candidatura de Lula e alegará ainda falhas na formação do processo, como o argumento de que o Brasil não aderiu à decisão internacional na década de 80. No STF, a chapa Lula-Haddad vai argumentar que a decisão do TSE é extemporânea, porque não esperou que os recursos em favor de Lula percorressem todas as instâncias da Justiça. Com efeito, o relator do processo, ministro Luiz Roberto Barroso, leu a papelada toda em menos de doze horas e o processo só entrou na pauta hora e meia antes de começar o julgamento.

A despeito de tudo isso, a chapa Lula-Haddad tomou ante-ontem uma advertência movida pelo Partido Novo que entrou no TSE com uma reclamação afirmando que o PT estava usando de maneira ilegal a figura de Lula no horário eleitoral gratuito. O PT alegou que não houve tempo hábil para reeditar os programas e que não os repetiria mais. De nada adiantou: o TSE mandou retirar toda a programação com Lula.

Mas o que parece definido foi o anunciado ontem: o PT vai mudar de estratégia exatamente pela pressão do TSE. O que se tem agora como certo é que o partido vai insistir com a chapa Lula-Haddad até o dia 11, quando vence o prazo para a troca de candidatos. Nessa data, Haddad assumiria o lugar de Lula e a deputada gaúcha Manuela D’Ávila viria como vice – tudo como estava previsto. Isso quer dizer que Lula vai fazer os protestos para continuar sendo o principal nome da disputa, mas que no final quem será candidato mesmo é o ex-prefeito de SP e ex-ministro de Lula, Fernando Haddad.

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