Senadores adiam privatização por medo das urnas

Por Cláudio Humberto

Privatização é tema que assusta políticos durante as eleições e foi esse temor que levou senadores a adiarem, mais uma vez, a votação do projeto que viabiliza as privatizações de distribuidoras de energia em seis Estados (AC, AL, AM, PI, RO e RR). Com dívidas de mais de R$ 10,9 bilhões para os próximos 12 meses, o prejuízo das distribuidoras nos últimos 20 anos foi de R$ 22,3 bilhões. O governo é dono de 60% da Eletrobras e o prejuízo é repassado a consumidores na conta de luz.

Longo prazo, dívida grande

As dívidas a longo prazo das concessionárias da Eletrobras que seriam privatizadas este ano somam mais de R$ 24,4 bilhões.

Dívida bilionária

Em 2016, a Eletrobras decidiu não renovar concessões e a atuar como prestadora de serviços. O rombo desde então supera os R$ 4,5 bilhões.

Prazo curtíssimo

O regime de prestação de serviços para as distribuidoras acaba em 31 de dezembro e são necessários 90 dias entre venda e troca de donos.

Bilhões a mais

O governo federal esperava arrecadar mais de R$ 12,2 bilhões a mais este ano com as privatizações das distribuidoras da Eletrobras.

Deputado propõe criar
CPI das Atravessadoras

O deputado JHC (PSB-AL) propôs nesta quinta (9) uma CPI para investigar as distribuidoras de combustíveis que exercem no País “oligopólio e do controle dos combustíveis criminosos”. Ele as acusou de atuarem como verdadeiras atravessadoras, encarecendo o combustível em prejuízo dos consumidores. O parlamentar acha que é necessário investigar também o “estranho alinhamento” da Agência Nacional do Petróleo (ANP) com as distribuidoras oligopolistas.

Assinaturas

Apesar da frequência modesta na Câmara, JHC já conseguiu 62 assinaturas de deputados de diversos Estados.

Missão complicada

JHC acha que durante o esforço concentrado, quando os deputados estarão presentes, ele vai conseguir número suficiente de adesões.

‘Verdadeira máfia’

Ele diz que que as distribuidoras constituíram “verdadeira máfia”, que encarece o combustível e tenta fixar até o preço ao consumidor final.

Poder do debate

Para o economista Ivan Kraiser declarações dos candidatos a presidente no debate de ontem (alinhados com reformas do mercado e o ajuste fiscal) pode favorecer a Bolsa e até derrubar os juros e o dólar.

Fakes

Surpreendeu organizadores do 1º debate presidencial de 2018, na TV Bandeirantes ontem, o volume de mensagens de robôs que pediam a participação de Fernando Haddad (PT) e João Amoêdo (Novo). Uma vez filtradas as mensagens falsas, a quantidade caiu mais da metade.

Eles querem censura

Não há muito o que fazer no Congresso em época pré-eleitoral: parlamentares do PT discutiam a série “O Mecanismo”, do serviço de streaming Netflix, tentando enquadrá-la na lei da censura prévia.

O último

O candidato a vice que menos atraiu atenção no Twitter, segundo estudo FGV/DAPP, foi Hertz Dias, do PSTU: 226 tweets. Vera Lúcia e Marina Silva (Rede) são as únicas mulheres candidatas à Presidência.

Prioridades

Alegando falta de dinheiro, deputados rejeitaram fornecimento gratuito de toucas hipotérmicas para evitar a queda de cabelo em pacientes com câncer, mas nada se falou sobre o aumento de ministros do STF.

Começou mais ou menos

Após o primeiro debate presidencial, ontem na TV Band, faltam 58 dias para o primeiro turno da eleição, em 7 de outubro. Mesmo assim, a campanha ainda não começou nem nas ruas, nem na TV e no rádio.

Censura prévia

Desde segunda (6), rádios e TVs estão proibidas de informar o eleitor sobre fatos desfavoráveis a “partidos ou candidatos, coligação, órgãos ou representantes”, diz o artigo 45 da Lei 9504, que eles inventaram. A lei faz exceção a programas jornalísticos, mas depende do juiz.

É bom não dar idéia

Ao defender o projeto de Antônio Reguffe (DF) proibindo as empresas aéreas de cobrar marcação de assento, Flexa Ribeiro (PSDB-PA) ironizou: “Daqui a pouco vão cobrar até o uso do toalete a bordo”. Não dê idéia, senador, que Anac, a serviço das empresas, adota na hora.

Pensando bem…

…o aumento dos ministros do STF não vai provocar efeito cascata nos gastos com salários públicos, é efeito tsunami mesmo.

poder sem pudor Arte / Metro Jornal
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