O pai da mobilidade

Para o arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl, as cidades devem ser planejadas para as pessoas serem felizes

Por Lais Pagoto

Ele pode ser considerado o pai da mobilidade urbana moderna. Generoso, justo e muito inteligente, o arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl planeja, em todo o mundo, “cidades para as pessoas” – aliás, este é o título de um de seus livros mais conhecidos. Com esta frase ele quer dizer que as metrópoles devem ser seguras, acolhedoras e cheias de bons espaços públicos, com variadas opções de transporte público e muito verde, para que as pessoas tenham o prazer de se encontrar, conversar, caminhar e pedalar. Enfim, viver.

Utopia? Lá fora isso é uma realidade, especialmente em cidades onde Gehl já trabalhou e colocou suas ideias em prática. O urbanista foi o responsável por fazer de Copenhague, que até os anos 1960 era focada nos carros, uma cidade confortável para os pedestres e ciclistas, uma referência no mundo todo em planejamento urbano.

A capital da Dinamarca tem duas grandes prioridades: ser a melhor cidade do mundo para as pessoas, favorecendo a vida em comunidade, e se tornar a cidade mais ciclável do planeta também. “Se fizermos mais ruas, teremos mais carros e mais tráfego. Mas se proporcionarmos melhores condições para os pedestres, para os ciclistas e para a vida pública, o que acontece dez anos mais tarde? Você tem mais pedestres, mais ciclistas e mais vida nas ruas. Você tem mais saúde, ar menos poluído, gente mais feliz. É importante saber que estratégia cada cidade quer ter”, disse Gehl em uma de suas palestras, no seminário Fronteiras do Pensamento, quando também observou que o Brasil, nesse sentido, precisa urgentemente se renovar.

O urbanista e amante da mobilidade inteligente é uma inspiração para todos nós. Quem não quer um lugar melhor para viver? O princípio da cidade ocupada, com gente nas ruas caminhando e pedalando, é também o da cidade mais segura, agradável e sustentável. Ele observa que o modelo antigo e que norteou o mundo por tantos anos, baseado no carro, está ultrapassado: “Durante cinquenta anos a velha ideia do planejamento urbano levou as pessoas a ficarem sentadas o dia todo, no carro e no escritório, mas vemos que isso causa vários problemas de saúde”.

Nas cidades em que as pessoas usam mais o transporte coletivo, elas também caminham mais – e isso representa maior economia na saúde pública, já que o sedentarismo está ligado a várias doenças.

Jan Gehl gosta de lembrar que somos, afinal, homo sapiens. E por isso não podemos viver em ambientes hostis ao ser humano. E questiona: “Já notou que sabemos tudo sobre o habitat ideal dos gorilas, girafas, chimpanzés e até dos ornitorrincos, mas que quase não temos conhecimento sobre o que seria um bom lugar para o homo sapiens viver?”

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