Descubra se você tem um distúrbio do sono

Por Angélica Banhara

Você dorme pouco ou dorme mal? Se a resposta foi sim, você não está sozinho. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os distúrbios do sono atingem cerca de 40% da população do planeta. A questão é que, sem um sono de qualidade, a vida se torna um fardo e a sua saúde corre riscos.

Quando falamos em sono de qualidade nos referimos à:

Duração: que deve ser suficiente para que a pessoa se sinta descansada e alerta no dia seguinte;

Continuidade: o período de sono não deve ter interrupções;

Profundidade: o sono deve ser profundo para ser restaurador.

“Muita gente acaba se conformando em dormir pouco ou dormir mal. Mas não podemos achar isso normal”, diz Salomão Carui, especialista em Medicina do Sono.

Os principais distúrbios que impedem um bom sono são a insônia e a apneia. "Na apneia há interrupção completa do fluxo de ar pelo nariz ou pela boca por pelo menos dez segundos. Quando esse fluxo de ar é reduzido e a pessoa respira, mas não insufla os pulmões, temos a hipopneia, uma respiração não-eficaz”, explica Salomão, que é membro do Grupo de Medicina do Sono do Hospital Israelita Albert Einstein. Nem sempre a pessoa percebe que tem um problema.

Salomão aponta os sintomas que indicam um distúrbio do sono:

  • ronco
  • sensação de sono não reparador
  • sonolência diurna
  • diminuição de memória
  • diminuição de velocidade de raciocnio
  • irritabilidade
  • aumento constante de peso
  • diminuição da libido

“Quem tem apneia sofre diminuição da oxigenação no sangue e no cérebro nos momentos em que não respira. Com isso, não chega a todos os estágios do sono, não descansa e tem a produção dos hormônios desregulada. Essas pessoas correm maior risco de ter hipertensão, diabetes, colesterol alto, AVC ou enfartar”, afirma o médico.

Para avaliar a qualidade do sono e diagnosticar se há distúrbio o primeiro passo é consultar um otorrinolaringologista e fazer o exame de polissonografia. Ele normalmente é realizado em um laboratório onde o paciente passa a noite e tem o sono monitorado por por câmeras e eletrodos que medem as atividades cardíaca e cerebral, ronco, movimentos e oxigenação do cérebro. A partir dos resultados, o médico tem as informações necessárias para tratar o problema. Hoje existem alguns médicos e clínicas que oferecem a possibilidade de o paciente fazer o exame na própria casa, para ter noite de sono mais próxima da rotina.

Fases do sono

Existem dois estados distintos do sono: o mais lento (ou não REM), e o sono com atividade cerebral mais rápida, ou sono REM (do inglês, Rapid Eye Movement). O sono não REM é dividido em três fases, segundo a progressão da sua profundidade. 

Fase 1 – Sono leve: consome cerca de 10% da noite e é uma transição entre a vigília e o sono. As ondas cerebrais desaceleram e o corpo relaxa. 

Fase 2 – Sono médio: consome a maior parte da noite (cerca de 45% do período) e a caraterística mais marcante é que o movimento dos olhos para. As ondas cerebrais ficam lentas, a temperatura do corpo e a pressão sanguínea diminuem.

Fase 3 – Sono profundo: corresponde a cerca de 25% da noite. Nesta fase é bem mais difícil acordar.

Fase REM – a atividade cerebral está em alta. Os olhos se movimentam rapidamente e é quando acontecem os sonhos.

NAs fases 1, 2 e 3, importantíssimas para a saúde, ocorre a restauração dos tecidos, aumento da massa muscular e liberação do hormônio do crescimento.

Já na fase REM há consolidação da memória e do aprendizado.

Quando alguém é acordado durante o sono e volta a dormir, retorna à fase 1.

Em uma pessoa nornal, o sono não REM e o sono REM alternam-se ciclicamente ao longo da noite (se repetem a cada 70 a 110 minutos, com 4 a 6 ciclos por noite). 

Graus de apneia

A apneia, quando não tratada, pode colocar sua saúde em risco.

Segundo Salomão Carui:

  • até 5 episódios de apneia por hora é considerado normal.
  • de 5 a 15 episódios por hora já é doença da apneia grau leve.
  • de 15 a 30 paradas respiratórias por hora é apneia média.
  • mais de 30 paradas: apneia grave.

Apneia leve

A pessoa dorme e, quando começa a relaxar a musculatura, começam as apneias. O organismo impede a entrada no sono profundo para evitar um maior relaxamento, temendo aumento da falta de oxigenação. 

O paciente dorme mal e acorda mal.

Sinais e sintomas clínicos:

  • sensação de sono não reparador
  • sonolência diurna
  • diminuição de memória
  • irritabilidade exacerbada
  • diminuição do metabolismo (com consequente ganho de peso)
  • diminuição da libido

A apneia leve não tratada evolui para a apneia media, que não tratada evolui para a grave.

Apneia media

Ocorre uma estratificação do problema: há alguns anos a pessoa não tem os picos de acordar bem e dormir bem. 

"Quando o paciente está nessa situação, o cérebro já não sabe mais o que é dia e o que é noite, o que é tarde e o que é madrugada. Desse modo, ele perde a noção dos comandos e começa a liberar os hormônios de forma desordenada ou a não liberar, como uma metralhadora na mão de um cego”, diz Salomão.

 

Sinais e sintomas clínicos:

Alteração de:

  • colesterol
  • triglicérides
  • hormônio da tireoide
  • diabetes
  • hipertensão

“Às vezes a pessoa não entende porque pratica atividade física e tem uma alimentação balanceada, mas não consegue perder peso, se sente cansada, tem exames alterados. Daí a importância de se investigar o sono."

Apneia grave

Durante o sono a pessoa tem uma grande supressão de oxigênio e corre o risco de ter um AVC, uma parada cardiorrespiratória ou infarto agudo do miocárdio  dormindo.

 “Aqueles casos que ouvíamos há 20 ou 30 anos: o amigo do papai roncava muito e  morreu dormindo. Se isso aconteceu, a causa foi apneia mas, naquele momento, não se diagnosticava isso”, diz Salomão.

Por isso o especialista enfatiza a  importância da parte respiratória na avaliação do sono.

"O oxigênio é o combustível do órgão supremo do corpo humano, o cérebro.

E, ao melhorar a oxigenação do cérebro, aumentamos a longevidade, a vitalidade, melhoramos a saúde como um todo. Até a pele e o cabelo ficam mais bonitos.”

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