Gasolina aumentou 107 vezes em dez meses

A Petrobras aumentou o preço dos combustíveis cerca de 107 vezes em apenas dez meses, desde quando adotou, em 3 de julho de 2017, a política que na prática dolarizou os combustíveis e promoveu reajustes de quase 30% no período em que a inflação foi de menos de 2%. Em média, no período, foi um aumento a cada três dias. A estatal alega “alta do petróleo” e “variação do câmbio” para dolarizar o combustível. E ainda há quem considere essa centena de aumentos defensável.

Oportunismo rastaquera

A decisão da Petrobras de reajustar preços diariamente se aproveitou da decisão do governo de aumentar os impostos sobre combustíveis.

Inflação ficou pra trás

O preço médio dos combustíveis subiu quase 20% entre julho e dezembro. Já atingiu 27,8%, cerca de 14 vezes a inflação.

Metendo a faca

Desde fevereiro deste ano, a Petrobras aumentou a gasolina 41 vezes. Começou quando o litro, sem tributos, custava R$ 1,57.

Recuo recente

Das 21 reduções irrisórias no preço da gasolina, pela Petrobras, cinco ocorreram durante a atual greve dos caminhoneiros.

Saindo da Petrobras, Parente já tem novo emprego

Após incendiar o país com dolarização dos combustíveis, reajustados diariamente desde julho de 2017, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, tem novo emprego garantido. Ele deve assumir o comando da BRF (Brazilian Foods), que controla marcas de alimentos como Sadia e Perdigão. Parente já é presidente do Conselho de Administração da BRF, do qual o empresário Abílio Diniz se desligou em abril passado.

Se fizer isso, quebra

No novo emprego, Parente não aplicará aos frangos da Sadia e nem aos presuntos da Perdigão a política de reajustes diários de preços.

Sem monopólio não dá

Parente não reajustaria produtos da BRF todo dia temendo as leis da concorrência: exploração do cliente é punida com perda de mercado.

Ojeriza a concorrência

A gestão de Parente piorou a asfixia do etanol: a Petrobras não quer que combustível limpo, renovável e nacional concorra com a gasolina.

A marca do medo

Duas velhas figuras negociando com o governo, Nélio Botelho e José Araújo Silva (“China”), são conhecidas do ex-ministro do Trabalho Almir Pazzianotto desde 1986, numa greve de caminhoneiros “que deixou as marcas de medo, de fome e de raiva” em dezenas de cidades brasileiras. “Não mudaram absolutamente nada”, lembra o ex-ministro.

Greve malandra

A anunciada greve de 72 horas dos petroleiros, a partir desta quarta (30), ordenada pelo PT, mal disfarça uma velha malandragem: seu final coincide com início do fim de semana. No total, cinco dias de folga.

É um brincalhão

Após incendiar o país com seus aumentos diários, o máximo que o presidente da Petrobras fez foi pedir que os petroleiros, ameaçando uma greve oportunista, façam “cuidadosa reflexão” sobre o momento.

Tráfico vs. tráfego

Durante os dias de caos da greve dos caminhoneiros não tem havido confrontos com a bandidagem no Rio. A dúvida é se haveria relação de causa e efeito. Ou, vai ver, o tráfico sofreu os efeitos no tráfego.

Zona de conforto

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), está empenhado em uma tarefa difícil: convencer o pai, César Maia, a disputar uma vaga no Senado. Os 20% nas pesquisas não empolgam o ex-prefeito do Rio.

Refresco nas contas

O cancelamento de aulas, em razão da escassez de combustível, vai dar um refresco na gastança sem fim nas universidades federais: são R$ 561,2 milhões por mês só em despesas com “assistência estudantil”.

Reforma tributária

O senador Valdir Raupp (MDB-RR) defendeu a reforma tributária, ontem, no Senado, como “importante contribuição” para resolver a atual crise. “Quem sabe não é o momento mais do que oportuno?”, indagou.

Políticos sendo políticos

Apesar da crise nacional de desabastecimento, deputados largaram o trabalho na quarta-feira da semana passada, mas arrumaram tempinho para sessão solene em busca dos votos de técnicos de enfermagem.

Pensando bem…

…os caminhoneiros são detentores de um segredo cobiçado pela maioria dos brasileiros: como pagar as contas sem trabalhar?

Poder sem pudor: retaguarda aberta

A paranoica segurança de Fidel Castro vivia mudando o percurso do chefe, em terra e no ar, como numa guerra. O então ministro da Educação, Cristovam Buarque, seus familiares e o antecessor Paulo Renato Souza aguardavam no gabinete o início da solene transmissão de cargo quando souberam que Fidel já subia no elevador. Cristovam e Paulo Renato logo se deslocaram para o corredor a fim de esperar o visitante, mas eis que o presidente cubano apareceu em outra porta, flagrando os anfitriões pelas costas:

– Arre! Sorprendí a todos por la retaguardia!