Um final melancólico

Por Carlos Lindenberg

A prisão do ex-governador Eduardo Azeredo fecha um ciclo de maneira melancólica da história política mineira. É a primeira vez que um ex-governador do estado é preso, ainda que sua prisão seja amenizada do ponto de vista pessoal, ao ser instalado pelo juiz da Vara de Execuções Criminais num quartel do Corpo de Bombeiros e não na Penitenciária Nelson Hungria. Mas isso não suaviza a punição nem reduz o peso da condenação – dada a menos de quatro meses do aniversário de Azeredo, que completa 70 anos em setembro e que poderia, pela idade, ficar livre da pena, como vários outros ficaram, embora réus no mesmo processo.

A prisão do ex-governador, de certa maneira, choca a opinião pública, embora tenha contrariado parte dela justamente pela demora do seu julgamento – quase 20 anos. Mas ainda assim não deixa de estarrecer quem conhece a figura humana de Eduardo Azeredo, um engenheiro em informática de gestos tímidos e hábitos reservados, que se enveredou pela política, quase que por acaso, ao se tornar vice do então prefeito de Belo Horizonte, Pimenta da Veiga, e chegar pelas mãos do então governador Hélio Garcia ao Palácio da Liberdade. Como Eduardo Azeredo terminou o mandato de Pimenta da Veiga na prefeitura com boa avaliação, graças à sua austeridade aliada à simplicidade, Hélio Garcia resolveu lançar Eduardo à sua sucessão usando o seguinte raciocínio: o concorrente Hélio Costa era muito forte no interior do Estado, mas tinha a mesma performance na capital. O que fez Garcia? Dividiu o interior, onde a presença do seu governo era robusta, equilibrando com a de Hélio Costa, o favorito, e usou o prestígio de Eduardo Azeredo, que deixou a PBH com boa aprovação popular, para dar o golpe fatal aqui na capital. Não deu outra. Azeredo ganhou com 58% dos votos.

O que aconteceu a partir daí macula a administração de Azeredo, envolvido, não se sabe se por má-fé ou desconhecimento, provavelmente por ingenuidade, em um tal “Enduro da Independência”, umas provas de motocross patrocinadas pelo seu governo e que acabaram no chamado “mensalão tucano”, que vinte anos depois levou o ex-governador à prisão, encerrando de forma melancólica um capítulo da história política mineira – mesmo que no transcorrer do processo Azeredo tenha sido presidente nacional do PSDB, senador da República e deputado federal.

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