Larghi e evolução

Por Cadu Doné

Desde que mudou do 4-2-3-1 para o 4-1-4-1/4-3-3, Thiago Larghi passou a utilizar, ora Cazares, ora Luan, como meio-campista centralizado que contribui bastante na saída de bola. No último clássico, pela primeira vez desde o começo de uma partida, os dois entraram juntos nesta nova era tática do Galo. Ficavam as perguntas: quem o treinador manteria como esse pensador do meio-campo? Quem ele deslocaria para o lado? As respostas: Luan voltou para a direita; Cazares seguiu integrando uma espécie de trio com os dois volantes da equipe.

Contra o Cruzeiro, novamente o Atlético mostrou virtudes no que compete à organização do conjunto, à compactação das peças. Paciência, qualidade e sincronia para iniciar as ações do campo de defesa trocando passes, sem chutões. A equipe tem sido também, entre as principais do nosso futebol, uma das que menos apela para cruzamentos aleatórios na área inimiga – o que denota repertório e ambições bem louváveis de entrar na retaguarda rival tocando, triangulando. O gol de Guedes diante da Raposa evidenciou, em sua construção, estes méritos coletivos. Ao mesmo tempo, há um aspecto no qual o todo alvinegro ainda pode melhorar: pela posse que vem apresentando, pela filosofia de controle que tem conseguido, em ótima medida, na prática, aplicar, os pupilos de Larghi, em geral, precisam criar um número maior de chances claras. Eis a próxima etapa da franca evolução estratégica que vem sendo desenhada pelo jovem “interino” (?) – que segue nos brindando com sinais excelentes: fazer com que sua equipe seja mais insinuante, “faceira”, no terço final; decisões mais acertadas na intermediária ofensiva; profundidade e verticalidade completando o bom trabalho materializado na transição entre defesa e ataque.

Se o posicionamento de Cazares – ou Luan, quando o equatoriano se ausenta – pode se provar utilíssimo para o sucesso da ideia de imposição, de proposição; para a conquista do decantado controle, talvez a ausência desta mesma peça mais adiantada esteja conectada à carência da centelha de brilho mencionada. Sem o “10” mais próximo à área, o acabamento das jogadas às vezes fica prejudicado. A solução, já buscada por Larghi na teoria, mas que precisa ser melhor executada na prática, passa pelo funcionamento de um dos caras de beirada como mais um armador pelo centro – à Luan deve caber este papel enquanto Otero permanecer no banco. A amplitude estaria assegurada com Guedes na esquerda e com os avanços do lateral pela direita – que seria apoiado por Blanco ou Elias, o “volante/meia” que estivesse por ali.     

Falando de Elias, aliás, muitos comentaram, com razão, que ele se portou bem no sábado. É bem provável que este crescimento tenha ocorrido em função de dois elementos: a adoção do 4-3-3/4-1-4-1 – que, via de regra, há de ajudá-lo bastante por preencher mais o centro do campo –, e o comportamento, digamos, mais cauteloso, recuado de Cazares – atrelado, óbvio, à própria mudança de sistema.

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