PT e DEM se unem contra votação de emendas

Por Cláudio Humberto

Inusitada aliança entre deputados de PT e DEM, que contam também com PP, PSD e PDT, adia indefinidamente a votação do recurso contra a decisão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de liberar a análise de Propostas de Emenda à Constituição durante a intervenção no Rio. Maia está entre os políticos investigados em denúncias na Lava Jato. Em ano de eleição, virou pretexto para evitar temas nos quais os deputados não pretendem mexer, como a reforma da Previdência.

Apego a regalias

O “casamento de jacaré com cobra d’água” entre PT e DEM reflete também o desinteresse dos dois partidos pelo fim do foro privilegiado.

Escrita em português

A Constituição “não poderá ser emendada” durante intervenção, veda o seu artigo 60. Mas não impede análise, nem o trâmite de propostas.

Decano tem juízo

Para Miro Teixeira (Rede-RJ), decano da Câmara, não há intervenção no Rio, apenas na segurança, por isso as PECs deveriam tramitar.

Ele acha que não

Para o relator do recurso, Leonardo Picciani (MDB-RJ), propostas de emendas devem ficar na geladeira da intervenção.

Ministro tenta há meses tirar o presidente do INSS

O presidente do INSS, Francisco Pinto, foi ferido de morte pelos grupos que brigam pelo seu cargo, sobretudo Alberto Beltrame, recém-nomeado ministro do Desenvolvimento Social (MDS). Eles travam uma queda de braço desde a posse de Pinto, em novembro. Quando ainda era secretário-executivo, Beltrame assinou portaria cancelando o poder do presidente do INSS de nomear os próprios assessores, numa das tentativas, citadas por fontes do INSS, de forçar pedido de demissão.

Contrato por adesão

Se o problema é mesmo o contrato, o ministro da Integração e o titular da Funasa deveriam ser demitidos: têm contratos idênticos ao do INSS.

Vai lá e bate

Beltrame sempre foi solidário aos que desafiam e ofendem o presidente do órgão, segundo fontes do INSS, inclusive durante as greves.

Luta pelo poder

Dirigente da associação de peritos médicos, Luiz Argolo, cuja mulher é diretora do INSS e pretendente à presidência, também se opõe a Pinto.

Governo de esquerda

Os 26.523 títulos definitivos de domínio para assentados da reforma agrária, emitidos em 2017, representam mais de dez vezes a média anual histórica de 2.600 títulos, durante os governos Lula e Dilma.

Vexame europeu

Deixaram seus cargos de forma lamentável, pela porta nos fundos, meia dúzia de ex-“líderes europeus” que pregam, em resumo, que Lula é inimputável, apesar de condenado por corrupção e lavagem. São três italianos do mesmo partido, um francês, um belga e um espanhol.

Sem contar salários

Na Câmara, Gedeão Amorim (MDB-AM) foi o primeiro em 2018 a ultrapassar a marca dos R$ 200 mil em ressarcimentos de gastos. Este ano, deputados federais já tiveram R$ 62,6 milhões ressarcidos.

Longo caminho pela frente

O primeiro procurador negro aprovado com cota de vagas no Ministério Público do Trabalho (MPT) tomou posse este ano. Lá, apenas 1,16% dos procuradores e promotores são negros. No MPU inteiro, são 2%.

Stress pós-traumático

O “7 a 1” em 2014 deixou marcas: pesquisa CNT mostra que 8,1% dos brasileiros acreditam que a Alemanha será a campeã de novo este ano. Mas o otimismo na Seleção voltou: 51,9% estão confiantes no Brasil.

Porta de saída

O balanço de dois anos revelou a aposta do governo Temer na política de microcrédito como porta de saída do Bolsa Família: R$ 2 bilhões em financiamentos resultaram em 68 mil empregos formais.

Sem comentários

O experiente jornalista Vicente Limongi, “em respeito” a craques como Gerson, Pelé, Rivelino, Zico etc, não comenta o time de Tite, “onde despontam os fantásticos Fagner, Taison, Renato Augusto e Fred”.

Trabalhar para quê?

A leitura do parecer sobre as mudanças na Lei de Licitações foi adiada e o relator João Arruda (MDB-PR) prevê ainda outro adiamento: “Tem Marcha dos Prefeitos semana que vem e na outra, tem feriado”.

Pensando bem…

…é boa a notícia de críticas à convocação da Seleção: afinal, toda unanimidade é burra.

Poder sem pudor: Bornal, eleitor decisivo

Eleito para o governo de Minas, em 1946, Milton Campos enfrentou um quadro muito comum a governadores recém-eleitos: sua maioria na Assembleia Legislativa era precária: um voto. Repórter iniciante, José Aparecido de Oliveira perguntou ao governista Virgílio de Melo Franco:

– Como vai ser a eleição para presidente da Assembleia?

Melo Franco respirou fundo e ensinou:

– Meu filho, essa gente não resiste ao cheiro do bornal…

Abrindo ou não o bornal, o governo ganhou a disputa. Por um voto.

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