MDB dinamita aliança

Por Carlos Lindenberg

Ao negar a questão de ordem do líder do governo na Assembleia, deputado Durval Ângelo, o presidente da Casa, Adalclever Lopes, não mirou no que viu e acertou no que não viu, não. Ele mirou no governo e acertou no governador Fernando Pimentel. Exatamente como queria. E se deixou para analisar depois a questão de ordem do deputado Rogério Correia, secretário da mesa, e a do deputado André Quintão, não foi por que está com pirraça do líder, como se imaginava. Adalclever não tinha em mãos na reunião de terça o parecer jurídico necessário para sustentar a negativa, como fez no outro caso.

Isso significa dizer que na próxima terça-feira o presidente da Assembleia vai voltar a perturbar o governo com outras recusas às questões de ordem pendentes – a de Rogério Correa e a de André Quintão. E com isso, Adalclever já estará em condições de formar a comissão processante que examinará o pedido de impeachment do governador mineiro, feito pelo advogado Mariel Marra, o mesmo que pediu o do presidente Michel Temer, sem ser atendido pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia. Quer dizer, aqui funcionou; lá, não. O que mostra também que impeachment nunca é uma questão técnica, jurídica, mas fundamentalmente política: se as coisas estão bem entre o executivo e o legislativo, engaveta-se o pedido; se estão ruins, desengaveta-se. Foi assim, por exemplo, no caso Eduardo Cunha versus a então presidente Dilma.

Essa questão do impeachment de Pimentel, que pode até acabar na justiça, esconde uma manobra de efeito não menos devastador para o governador. Ela simplesmente desmancha a coligação PT-MDB, juntos há 24 anos na Assembleia mineira e que ganhou as eleições de 2014, derrotando a chapa do PSDB de Aécio Neves. Pimentel, que vem suportando essa questão do impeachment sem retaliações, na tentativa de manter a aliança, contava com a manutenção da coligação para disputar a reeleição. Agora, dificilmente poderá contar com o MDB que resolveu lançar candidato próprio – embora deva se aliar ao PSDB – e por isso mesmo já começa a conversar com outras lideranças políticas a fim de substituir o antigo aliado, ainda que não tenha jogado a toalha e mantenha suas pontes estendidas em direção ao MDB. O partido está dinamitando as pontes e se aglutinando sob o comando do vice-governador Antônio Andrade, não por acaso adversário do governador desde 2016.

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