Poupar ou não?

Por Cadu Doné

Quase todos os grandes times do Brasil – mesmo aqueles que não fazem parte das seletíssimas listas dos elencos mais fartos – possuem ao menos uma “quota” de reservas razoavelmente importantes. Qualificados. Semi-titulares. Muito se opina a respeito do dilema “poupar ou não” apenas do ponto de vista de quem está saindo. Que tal invertemos o eixo? E se levarmos em conta também quem estará ganhando uma oportunidade?

Peguemos o exemplo do Atlético. Elias virou reserva. Cazares ficou no banco por um tempo – talvez Otero perca, agora, a vaga para o equatoriano; de uma forma ou de outra, um dos gringos, hoje, não integra a equipe principal. Bremer teve longa sequência quando Leonardo Silva machucou-se. E foi bem. Voltou a ser mera opção, digamos, em alta. Só aqui, sem forçar a amizade, citei três suplentes de nível considerável. Peças que, em diversos sentidos, teoricamente, não destoariam tanto caso fossem acionadas. Por que, então, no instante de preservar, o debate público não contextualiza melhor estas situações? Não parte, de determinada forma, no exercício de tentar moldar um conjunto misto, desta avaliação dos substitutos que “não comprometeriam”? O raciocínio que sugiro bem diretamente: “Bremer, Elias e Otero (ou Cazares) não têm atuado com tanta frequência; são alternativas interessantes; quem eu posso (devo) descansar para colocá-los”?   

Luan segue sendo um dos nomes mais importantes do Galo. Pelo histórico físico que carrega, porém, talvez mereça, em alguns momentos, um carinho especial. Léo Silva tem idade avançada. Eis dois nomes que, a priori, em fases de longas sequências despontam como candidatos a serem resguardados. Periodicamente, assim, na hora de mesclar, me parece uma ideia inteligente: “nesta partida, vamos dar uma segurada no Léo e no Luan; chances a Bremer e Elias”. Ainda sobraria um bom meia (Cazares ou Otero) que poderia ocupar a posição de alguém que, naquele quadro, precisasse de um respiro: Guedes, Blanco… Unir o útil ao agradável. Conceder minutos – e até valorizar, manter motivação; gestão psicológica… – a quem apresenta talento, ao mesmo tempo em que se alivia para os mais vulneráveis e não se desfigura o todo excessivamente – em termos de entrosamento e capacidade técnica. Falta este bom senso no Brasil. Discute-se poupar quase sempre sob os mandamentos de extremos: sai todo mundo, ou não se conserva ninguém; esquadrão titular ou totalmente reserva; poupar é “frescura” – ideia obviamente equivocada, obsoleta, e provavelmente dominante entre torcedores e boa parte da mídia –, ou um tipo de conformismo, de “modernidade” pouco reflexiva, carente de conteúdo, que apenas aceita e não percebe que seria possível “jogar com mais gente”.

O calendário é tão absurdo que não dá para sobreviver sem “abrir mão” eventualmente. Com planejamento e temperança, todavia, é possível fazê-lo com mais inteligência e sem movimentos “demasiadamente bruscos”.

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