Pimentel impõe silêncio

Por Carlos Lindenberg

O governo Pimentel conseguiu barrar ontem, ainda que por algum tempo, o pedido de impeachment que entrou na semana passada na Assembleia Legislativa contra o governador. Quem pede o impeachment de Fernando Pimentel é o advogado Mariel Marra que acusa o governador de crime de responsabilidade. Quem contestou o pedido foi o deputado Durval Ângelo, líder do governo na Assembleia, que alegou três aspectos: o artigo 83 do Regimento Interno da Assembleia, que manda o presidente da Casa receber e despachar o pedido, a falta de fundamentação jurídica para esse tipo de ação e a falta de consistência do pedido. O advogado usou como prova do crime de responsabilidade do governador recortes de jornais, sem comprovação de que o noticiário fosse inteiramente verdadeiro. Durval Ângelo cita, por exemplo, o que seriam dois erros do noticiário em que se baseou o advogado: a falta de repasse de verba constitucional para o Ministério Público e a mesma coisa para o Poder Judiciário. Segundo o líder do governo, esses são apenas dois erros – “mas há outros”, diz.

O pedido de impeachment do governador Fernando Pimentel causou grande perplexidade nos meios políticos. Primeiro, pelo inusitado. Depois porque ocorre no momento em que o MDB, a que pertence o presidente da Assembleia, Adalcléver Lopes, está em rota de colisão com o governo do qual é parceiro. Além disso, o deputado Adalcléver Lopes tem sido o grande aliado do governador nessa pendenga com o MDB, de sorte que, partindo dele, a decisão de receber o pedido causou grande alvoroço entre os políticos e principalmente no governo.

Mas o líder pediu não apenas a suspensão do prazo para o andamento do pedido na Assembleia. Ele pediu também o arquivamento da peça acusatória, por sinal, soube-se depois, é a terceira que chega à Assembleia e todas tiveram o mesmo endereço: a gaveta. O que se estranha é por que essa foi recebida e nem foi pelo presidente da Casa, mas pelo primeiro vice-presidente, deputado Lafayette de Andrada – uma das razões do pedido de nulidade do impeachment. O presidente Adalcléver Lopes deve dar uma resposta à questão de ordem levantada pelo líder até terça feira próxima, acatando a solicitação para o arquivamento ou não. Ontem à noite, diante da relevância do assunto, o governador Fernando Pimentel ordenou à sua base de apoio que observasse “silêncio absoluto” sobre o pedido de impeachment.

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