O vice também é candidato

Por Carlos Lindenberg

Para quem duvidava que o vice-governador de Minas, Antônio Andrade, estivesse blefando talvez o resultado da reunião de terça feira à noite, no Palácio da Alvorada, possa esclarecer alguma coisa. Nessa reunião, convocada pelo presidente Michel Temer, o vice-governador mineiro reafirmou junto a outros sete presidentes de diretórios regionais que será candidato ao Palácio da Liberdade, em outubro. A reunião foi convocada por Temer para reafirmar a sua pré-candidatura à reeleição e pedir que o MDB arme palanques nos Estados.

Estavam lá os presidentes dos diretórios de Minas, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Acre, Roraima, Mato Grosso do Sul e Tocantins, numa primeira rodada que Temer faz com os diretórios de todos os Estados e Distrito Federal para firmar a sua pré-candidatura, que, na verdade, ainda é uma dúvida: Temer tem apresentado baixíssimos pontos nas pesquisas pré-eleitores, variando entre um e dois, e o ministro Henrique Meirelles também é pré-candidato, pelo menos MDB. Ontem, por sinal, Meirelles disse que o candidato será aquele que estiver melhor posicionando nas pesquisas ate época das convenções, no final de julho.

Toninho Andrade dizer que é candidato não chega a ser uma novidade. Ele disse isso primeiro para o governador Fernando Pimentel, com quem está rompido. Depois falou com os deputados do partido e vem trabalhando os diretórios municipais. A novidade é que Toninho não contava com uma possível pré-candidatura do deputado Adalcléver Lopes, que até recentemente vinha defendendo ardorosamente a manutenção da aliança do MDB com o PT, coligação com a qual o governador Fernando Pimentel sempre contou para sua reeleição.

O que houve que alterou o quadro assim em Minas, com o MDB que até então não tinha candidatos e agora tem dois? Começou com a velha mania de o MDB sempre levantar a tese da candidatura própria na antevéspera da campanha. Adalcléver, no entanto, sempre rejeitou essa tese, defendendo a continuidade da aliança com o PT, estando até mesmo reservada uma das duas vagas ao Senado em disputa para ele, na coligação que elegeu Pimentel em 2014. O que alterou tudo foi a transferência do domicílio eleitoral da ex-presidente Dilma Rousseff para Minas Gerais, no mês passado. Surpreendido pelo noticiário dos jornais, Adalcléver resolveu também defender a candidatura própria do MDB e se lançou pré-candidato, numa atitude que alarmou os deputados do partido defensores da manutenção da aliança. O que muitos não se lembram é que Dilma, no dia da transferência do título, explicou que não vinha para disputar o Senado, mas estava à disposição do partido – e o partido deve lançar o nome dela para a Câmara dos Deputados para que na sua esteira sejam eleitos mais cinco, aumentando a chance da coligação a ser formada, agora também com o PR do empresário Josué Alencar.

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