O novo galo

Por Cadu Doné

Contra o San Lorenzo Luan jogou, em diversos instantes, aberto pela direita. Sua posição clássica. Foi a última vez…

Naquela oportunidade, o menino maluquinho já transitou, muito além do normal, pelo centro do campo. Havia algo diferente ali. Uma nova orientação. E nos embates seguintes, o que se enxergou em grande parte na Argentina, se materializou inteiramente: nas duas rodadas do Brasileiro, e quando entrou no segundo tempo do duelo frente o Ferroviário, no Ceará, Luan se comportou como um meio-campista. Centralizado. Não mais “peça de beirada”.

Elias tem sido bastante questionado nos últimos tempos. Debate-se frequentemente sobre sua posição ideal. Muitos defendem que este atleta funcionaria melhor como meia. Arquiteto. Mais adiantado. Poucos perceberam, contudo, que diante do Vasco ele teve chance de atuar assim. E não foi bem. Um detalhe representativo: em São Januário, com o desfalque de Adilson, Blanco foi primeiro volante; Luan, conforme explanamos, jogou por dentro; ao contrário do que seria “lógico”, em certo sentido – já que este último sempre foi visto como “meia-atacante”, e Elias é classificado como “volante” –, quem teve mais liberdade, e permaneceu mais à frente na maior parte do tempo, pelo centro, foi Elias. O sistema variava entre o 4-3-3/4-1-4-1 e o 4-2-3-1. Quando o segundo estava em voga, Elias era o organizador centralizado na linha de três meias – e Luan o segundo volante.

Tenho falando que, no passado recente, Larghi reinventou a função de Cazares. Antes, majoritariamente, uma espécie de “enganche”. Homem que flutuava por trás do centroavante. O armador mais avançado. Já no seu novo labor, um meio-campista com participação mais completa. Mais recuado, em geral. Vindo de trás. Sendo fundamental na saída de bola. Preenchendo os espaços e combatendo com mais assiduidade na fase defensiva. No último domingo, no triunfo contra o Vitória, com o desfalque do equatoriano, Luan realizou exatamente este trabalho – e com o retorno de Adilson, Blanco voltou a ser segundo volante. Fica a pergunta: considerando que Adilson, hoje, é titular absoluto; que Blanco não há de sair do time – se ainda restava alguma dúvida, a atuação de gala na rodada passada tratou de saná-la; e que Luan vem ocupando mais o centro do que os flancos, onde Cazares entrará?      

Por um lado, tendo a preferir o equatoriano centralizado. Por outro, Adilson e Blanco hoje formam a dupla de volantes ideal no Atlético – e Luan tem ido bem pelo meio. Para premiar os melhores, reunir uma equipe com a maior qualidade possível, Cazares teria de entrar na vaga de Róger Guedes. Restariam, taticamente, grosso modo, duas alternativas: Luan retornar para a direita, com Otero indo para a esquerda, e Cazares articulando por dentro, ou permanecer exatamente nos moldes do último domingo, com o equatoriano exercendo o labor que fora executado por Guedes – “ponta” pela esquerda; é claro que, neste caso, uma troca com Otero poderia ocorrer.

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