Alckmin quer Aécio longe

Por Carlos Lindenberg

Tornado réu junto com a irmã Andrea, o primo Frederico e um assessor parlamentar, Mendherson Lima, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) recebeu ontem o que pode ser a pá de cal que faltava para sepultar uma possível candidatura de volta ao Senado: o candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, defendeu a tese de que o melhor que Aécio faz em favor do partido é se afastar da vida pública por uns tempos. Em linguagem clara, o ex-governador paulista não quer que Aécio se candidate nem mesmo à Câmara dos Deputados, por temer que sua presença nos palanques ou no horário eleitoral do PSDB tire votos que poderiam ser destinados a ele, Alckmin.

Até aqui Aécio vinha resistindo às sugestões de que não deveria disputar cargos eletivos este ano, na expectativa de que pudesse ser salvo no julgamento do Supremo Tribunal Federal, terça-feira, da acusação de ter recebido propina do empresário dono do grupo JBS, Joesley Batista. Ocorre que naquele dia o STF fez dele réu no primeiro dos oito processos a que responde naquela corte, provocando a advertência ou apelo do ex-governador que receia, por natural, que a presença de Aécio na campanha possa atrapalhá-lo, mesmo com Alckmin ostentando até agora baixa pontuação nas pesquisas pré-eleitorais.

Nesse sentido, preocupação maior deve ter o também senador Antônio Anastasia, provável candidato do PSDB e cria de Aécio ao Palácio da Liberdade. Ao que consta, ao aceitar a candidatura, Anastasia teria exigido do PSDB que seria dele a responsabilidade para a formação da chapa e a criação do grupo que comandaria a sua campanha, exatamente para não ter a companhia de Aécio, ao que se fala no meio tucano. Aécio, no entanto, parecia insistir na possibilidade de tentar a reeleição ao Senado, hipótese que pode ser descartada agora com o alerta de Geraldo Alckmin para que não se candidate.

A preocupação de Alckmin e quem sabe também a de Anastasia faz sentido. Sem dúvida a presença de Aécio na campanha de ambos é perniciosa, sobretudo na de Anastasia, dada a proximidade dos dois. O difícil seria Anastasia dizer isso a Aécio, ao contrario de Alckmin, que, por sinal, não tem simpatia alguma pelo senador mineiro, a quem acusa de não o ter ajudado quanto tentou pela primeira vez a presidência da República, em 2006, sendo derrotado por Lula que, em Minas, recebeu o voto “lulécio” – de que Alckmin não se esquece.

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