Não tem remédio

Por José Luiz Datena

Como é que pode em um país com quase 13 milhões de pessoas desempregadas, outras vivendo muito mal ou apenas sobrevivendo com o subemprego, em um sistema público de saúde que muitas vezes nega remédios caros a quem tem doença rara, ou mesmo remédio para quem tem doença crônica como diabetes, como é que pode aumentar preço de remédio em quase 3%? Pode!

No Brasil, o último na escala do benefício é o povo. Quer salvar a economia? Mexe na Previdência. Quer alterar o transporte público? Aumenta a passagem! Aumenta o preço da gasolina! Quer melhorar a situação das estradas, aumenta o pedágio! Aumenta o combustível, e assim vai.

Para ter uma ideia, quando se fala  em queda de inflação, não é que o preço de tudo caiu. Subiu menos. Mas subiu. Isto tudo com desmando e mau uso do dinheiro público em meio a desvios e empréstimos suspeitos de entidades governamentais que deveriam servir para gerar empregos e segurança para a massa trabalhadora do Brasil.

Agora mais essa. Aumento de remédios. Em meio à crise de hospitais sem leito, gente morrendo em filas vergonhosas implorando atendimento médico e epidemias de doenças do século retrasado.

Tem o caso de um garoto, Gianluca, que vive preso à cama por uma doença paralisante, em seus 5 anos de idade só mexe os olhos para desespero da família. As doses do seu remédio passam de milhões, inacessíveis para a família pobre, mas a dose da insensibilidade do Ministério da Saúde é ainda maior, negando ao menino o que tem direito por ordem judicial, tratamento, não para curar, mas para dar a ele o direito de uma vida próxima do normal.

Fora esse quadro trágico, quantos não perdem a vida pelo simples fato de não ter dinheiro para comprar um remédio de pressão? Aliás, morrer do coração é o caminho mais lógico para um povo enfartado com tanto descaso e abandono. Para o povo brasileiro, não tem mais remédio.

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