Supremo nojo

Por Diego Casagrande

No meio do terreno há um barril de pólvora. Em volta dele tem um monte de gente segurando tochas. Alguns estão bêbados, cambaleantes. Como se não bastasse, há alguns homens de preto, ditos doutos, togados, que estão empurrando os bêbados contra o barril. O resultado disso é presumível, não? Assim está o Brasil, um país onde a crise política se avoluma na mesma medida e velocidade em que cresce o descrédito das instituições. E sem pilares firmes, fortes e respeitados, nosso país parece estar a ponto de explodir.

A julgar pela teratologia aprontada pelos ministros do STF na semana passada, está tudo acertado para garantir que Lula não seja preso. Uma vez que o habeas corpus foi concedido sem que ao menos fosse analisado o mérito – algo que eu nunca tinha visto – a lógica nos leva à montagem de uma pizza gigante e indigesta, a maior da história republicana. Não dá nem para embarcar na de um ministro que se apressou em sair da sala mostrando a passagem aérea e o check-in feito. É patético demais.

Se aquilo não foi um teatro com péssimos atores, do que se tratava? Mas o roteiro está traçado. A corte não se submeteria ao desgaste que já está sofrendo por outra razão que não a intenção de deixar o condenado por corrupção e lavagem de dinheiro solto, rindo da cara dos brasileiros. Se isso se confirmar, estarão abertas as portas do imponderável, que podem se tornar as do inferno. Inúmeros condenados em segunda instância hoje presos serão soltos. A Lava Jato terminará, para felicidade dos canalhas.

O que dizer diante de tamanha insensatez e descompromisso com a Justiça, com as atuais e futuras gerações? Meu sentimento é o de milhões, um misto de asco, raiva, nojo. Um supremo nojo. É revoltante trabalhar duro, pagar impostos escorchantes, ralar muito e ver poderosos bandidos saírem livres, sorridentes, debochando de todos nós. É nauseante ver aqueles homens de preto fazendo de conta. A tal Corte Suprema brasileira não está apenas se esforçando para se tornar dispensável – o que já seria grave – mas está se transformando em um fardo pesado para o avanço do país.

Diante das reações, se o STF não voltar atrás da monstruosidade que criou, a tendência é o inexorável agravamento da crise. Depois não adianta reclamar.

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