Esquizofrenia moral

Por Gustavo Varella

O distúrbio mental conhecido como “esquizofrenia” provoca pensamentos ou percepções que não correspondem à realidade. É uma desestruturação psíquica que faz a pessoa perder a noção do ambiente que a cerca, não conseguindo diferenciar o real do imaginário. Aquele acometido não tem “culpa” de condição, já que, ao contrário de diversas moléstias conhecidas, ninguém provoca ou contribui, com seus atos ou comportamentos, costumes, má-alimentação, tabagismo, sedentarismo ou qualquer outro hábito para seu surgimento ou atingimento.

Escutar ou ver algo que não existe, a sensação de estar sendo vigiado, afastamento das atividades sociais, respostas desproporcionais a estímulos externos com crises de riso ou de choro e elaborações de pensamentos sem qualquer nexo são os comportamentos mais comuns entre vários possíveis aos esquizofrênicos, mais uma vez cabendo lembrar que eles são vítimas de um mal que não desejaram ou contribuíram para portar e merecem toda a atenção, carinho, respeito e amparo de seus familiares e concidadãos. A doença foi descrita pela primeira vez no século 18, e a ciência avança rumo à sua cura, com tratamentos que permitem uma vida relativamente controlada a muitos daqueles que antigamente eram confinados em sanatórios e abandonados à própria sorte, amaldiçoados, agredidos e até exterminados, como nos tempos da Alemanha nazista.

Ultimamente, no entanto, vem tomando corpo um outro tipo de esquizofrenia, que se difere de sua correlata mental porque seu portador a adquire voluntariamente e trabalha não para debelá-la ou controlá-la, mas para aumentar-lhe o grau de afetação até o extremado momento da desejada transformação do delírio em realidade e, pior que tudo, da contaminação do maior número de pessoas que conseguir alcançar com sua distorção da realidade, sua inversão de perspectivas, sua destruição de valores, sua degradação social: a esquizofrenia moral.

Comportamentos muito característicos permitem o diagnóstico dessa moléstia que vitima o caráter até o grau máximo de extirpá-lo totalmente do seu portador, que afeta de forma irreversível os centros da vergonha e da dignidade, incapacitando sua vítima “auto-imposta” de discernir até mesmo sua imagem ou voz gravadas anteriormente defendendo condutas que agora ataca, fazendo-as atingir um estado de tamanha devassidão que nem sequer respeito aos entes queridos já mortos conseguem professar, chegando a usar seu luto como palanque e o cadáver do morto amado como “laranja”.

O delírio da ausência, por exemplo, faz com que mesmo confrontado com uma montanha de provas o afetado consiga negar sua condição de criminoso, atribuindo a conspiradores sua condenação, apontando o dedo para diversos como culpados pelo desastre causado por si ou sob sua inspiração. Especialistas prescrevem encarceramento em regime fechado, confisco de bens e suspensão dos direitos políticos como forma de tratamento dessa doença.

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