Até Deus

Por José Luiz Datena

Qualquer que seja o resultado da investigação de quem matou, e a mando de quem matou, a vereadora Marielle e o motorista Anderson, a verdade é que a guerra da segurança pública está perdida para o crime de varejo ou organizado.

As balas perdidas, milícias, guerra de tráfico do Rio são na verdade um fragmento da fratura social e de ordem pública no país inteiro. O Brasil está dominado pelo crime porque não há lei. Pelo menos lei que se faça respeitar.

Bons advogados aproveitam a brechas de um código penal de quase 80 anos para livrar da cadeia corruptos e corruptores, assassinos, violentadores, matadores de mulher, bandidos que a gente escolhe muitas vezes na urna da vergonha podre de uma política carcomida pelo cinismo dos poucos bons políticos que fazem corporativismo de omissão. Tipo se não roubo não é comigo. Precisamos mais que isto.

O judiciário erra? Claro que sim, todos erramos. Mas sem lei de verdade nas mãos é mais fácil soltar que prender. Nosso sistema carcerário deixou de ser um aplicador de pena e menos ainda um recuperador de almas perdidas. Virou campo de treinamento do crime organizado. As tragédias são tantas que nem mais nos indignamos quando alguém matar por causa de um celular, ou menos ainda. Vivemos na república do medo. De andar nas ruas, de ficar em casa, de não poder proteger nossas famílias. Este é um país injusto de 16 milhões de miseráveis, 12 milhões de desempregados, 16 milhões de analfabetos. O inferno é aqui. Sem educação, saúde pública ou segurança. Se DEUS é brasileiro vai torcer por outro país na copa. Até nosso maior torcedor no infinito, cansou. Nós também.

Contenido Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo