Polis

Por Gustavo Varella

Aristóteles, filósofo grego, há mais de 2.500 anos cunhou uma frase que até hoje causa polêmica: “Todo homem é por natureza um animal político”. O grande pensador exprimia sua crença em que, ao decidir viver em comunidade (nas “POLIS”, conceito de cidade na antiga Grécia) o homem passou a ter obrigações para com essa comunidade e para com os outros indivíduos, o que implica dizer que quem quer viver em grupo, e não sozinho, tem que saber que seu querer e seu fazer têm limites, quais sejam o querer ou o fazer dos outros.

Em situações de conflito de interesses, ou se estabelece uma composição de interesses entre os conflitantes ou um terceiro, escolhido ou imposto, vai resolver esse conflito evitando que suas faíscas ateiem fogo na polis. Quem gosta de política não precisa eleger-se nada para exercê-la com dignidade, não precisa se candidatar a absolutamente nada para cumprir seu apostolado cidadão! A maioria das pessoas que protesta em defesa de sua cidadania não deseja ou projeta candidatar-se a alguma coisa.

Não que pretender ou até faze-lo desautorize alguém a criticar ou apoiar qualquer tipo de ideia, mas a participação na vida política não se dá apenas por meio do engajamento partidário até mesmo porque, com cada vez mais raras exceções, partido, no Brasil, está se tornando sinônimo de quadrilha, antessala de patifaria. Uma coisa é certa: quanto mais exigente e participativo o cidadão, melhor sua qualidade de vida. No momento em que começarmos a enxergar a política como coisa séria, tal como passamos a tratar as relações de consumo a coisa começará a mudar de figura em nosso país.

Qualquer sujeito, por mais iletrado e inculto que seja, sabe que não há como chegar a um lugar diferente tomando sempre o mesmo caminho. Precisamos de faxina profunda em algumas de nossas instituições e os faxineiros dessa messe somos nós mesmos, não aqueles que se apresentam como ungidos ou vocacionados para funções para as quais já se mostraram absolutamente incompetentes ou nas quais já se deixaram flagrar em situações absolutamente inversas à ética, à seriedade e aos interesses que deveriam proteger ou fomentar.

Difícil imaginar (pior ainda entender) como alguém que há dez, vinte anos, vê passar pela vida política gente acusada de tudo quanto é tipo de falcatrua, que entra pobre e sai – ou fica – cada dia mais rico na política sem dar uma gota de suor pelo bem comum continua votando nessa gente ou naqueles pilantras-mirins de sua gangue.

Duvido que alguém readmita em sua empresa alguém que foi demitido por roubo ou fraude, mas continuamos elegendo bandidos que respondem a dezenas de ações penais ou de improbidade porque nos prometem um saco de cimento ou um emprego…e depois reclamamos.

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