O Brasil precisa de intervenção

O Exército está chegando de vez no Rio de Janeiro para “cuidar” da segurança pública ao longo de 2018. Intervenção decretada por Michel Temer, apoiada pelo governador Pezão e com aval do Congresso. Um general quatro estrelas chamado Braga Netto, que manifestava restrições aos verdes assumirem funções de policiamento, será o chefe. E já começou falando como político ao afirmar que a situação não está tão ruim. “Há muita mídia”, disse. “A situação do Rio é grave, mas não está fora de controle”, avisou Netto. Sabedor de que não poderá fazer muita coisa, o militar se vacinou.

A situação no Rio é terrível. Quem relativiza está fora da realidade ou pretende escondê-la. Neste fim de semana, foram 17 tiroteios na região metropolitana. Arrastões, aconteceram seis. No ano passado, 134 policiais militares foram mortos. Só este ano, já são 17. Por dia, são registrados cerca de 30 assaltos para roubar cargas transportadas em todo o Estado. Até mesmo a glamorosa zona sul já vive seus dias de velho oeste. Semana passada, um supermercado foi saqueado durante quase meia hora em pleno Leblon. E as balas perdidas? Hoje em dia, matam crianças no ventre materno.

Por tudo isso – e muito mais –, parece evidente que a situação fugiu ao controle. Neste sentido, como ser contra a intervenção federal no Estado do Rio? Algo de fato precisava ser feito. Ocorre que, sendo sincero, infelizmente essa ação será paliativa, superficial. Certamente dará um alívio temporário, mas os problemas que levaram à sensação de caos estão longe da solução.

O que o Brasil precisa mesmo é de uma intervenção profunda para mudar algumas coisas. Cito três na área criminal, só para começo de conversa: 1) endurecimento da legislação penal com o fim das progressões de pena; 2) revogação do Estatuto do Desarmamento; 3) redução da maioridade penal para 14 anos.

Achou demais? Radical? Então aguarde o Brasil dos próximos cinco, dez anos. Se hoje está ruim, você não sabe o inferno que nos espera se o descalabro de hoje não for enfrentado de verdade. Esta é a intervenção que desejo e que só pode ser feita pela população votando, falando, defendendo valores, lutando por causas e princípios ao bem comum e jamais se calando diante da mentira. As eleições serão um capítulo importante. Espero que sejam apenas o começo.