A última bala

Por José Luiz Datena

Para um presidente da República desgastado, com uma das popularidades mais baixas já vistas nos últimos tempos, acuado por denúncias no Congresso e praticamente fora do jogo político, não restava outra alternativa.

Pois uma coisa não há como negar: tanto tempo neste universo de poder fez de Temer um estrategista.

Pegou um Rio de Janeiro quebrado, falido, roubado, na verdade um micro universo do Brasil, cuja grande diferença é a topografia, morro de um lado, com 1 milhão de pessoas vivendo em comunidades dominadas pelo crime organizado, falta do alcance às leis regulares e sob o controle assassino de armas de guerra.

Do alto da montanha, os barões do tráfico controlam não só essa gente humilde, mas todos os que moram lá embaixo, entre as favelas e o mar.

Ficou mais do que claro que, depois da pilhagem comandada por Sérgio Cabral e sua quadrilha, mais ainda de partidos poderosos que saquearam sua principal fonte de renda, usando canalhas como Joesley e operadores malignos, fazedoras de obras corruptas, como a Odebrecht, quase aniquilaram uma das maiores companhias energéticas do mundo, a Petrobras!

Corrompido e sem os royalties do pré-sal, o Rio afundou. Profissionais da área de segurança, vivendo no limite do dinheiro contado para tentar sustentar suas famílias, sucumbiram diante do dinheiro sujo que não tem contenção de verba, e aí a coisa toda desandou. Final de 2014, começo de 2015, isto é estatística, com a falência do Estado, todos os índices de crimes cresceram assustadoramente no Estado e na cidade.

A cada hora uma arma de fogo é apreendida, por dia, um fuzil e quase toda semana armamento mais pesado ainda. De guerra mesmo, tipo a .50! No ano, quase 200 agentes de segurança, a maioria de policiais militares, foram exterminados.

O que aconteceu no Carnaval foi apenas um Big Brother do que acontece diariamente na Cidade Maravilhosa: arrastões, com gente sendo caçada pelas ruas, polícia apanhando da turba, ou sendo morta, bandidos vendendo drogas a céu aberto e escoltados por seguranças fortemente armados, nada mais é do que um desafio claro, do Estado de Direito. Foi a gota d’água! Aquilo que uma classe política acuada pela relutância da Previdência esperava pra analisar uma intervenção das Forças Armadas.

Uma coisa é certa: do jeito que estava, não podia ficar, os bandidos têm que ser parados. Se vai dar certo e a que custo, sem a alteração de um Código Penal obsoleto, só o tempo dirá.

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