A realidade é implacável

Surpreendente ver o que a Lava Jato conseguiu fazer, colocando bandidos de colarinho branco e políticos até então intocáveis no banco dos réus. Surpreendente também ver a multidão de zumbis a defender a inocência de seu líder, sem o qual o maior esquema de roubo da história do país não teria acontecido. Parece um daqueles episódios de The Walking Dead, em que as hordas maltrapilhas de mortos vivos surgem dos matos invadindo estradas e levando tudo pela frente. No Brasil de hoje muita coisa impressiona.

Um amigo meu costuma dizer que se Lula fosse flagrado às 3 horas da tarde matando uma criança a pauladas, em plena Rua da Praia lotada de um dia de semana, com as imagens das câmeras de vídeo do local flagrando tudo, ainda assim seus seguidores diriam que é inocente. Falariam que foi montagem, coisa da CIA ou que a criança tentou o suicídio. Diriam ainda que a verdadeira vítima, o agredido de fato, é Lula. E eu vou além. Setores da mídia, muitos coleguinhas do jornalismo, outros tantos professores do Direito e das demais humanas, iriam fazer teses para corroborar com a narrativa cretina de que o culpado é, na verdade, uma vítima inocente que não teve direito de defesa.

Por mais cruenta que seja esta figura de linguagem, ela diz muito sobre a ideologia de esquerda com a qual o Brasil vem lidando há décadas. Eles querem que nos acostumemos que o certo é o errado, que azul é vermelho e que seus bandidos de estimação são perseguidos pelo sistema. Sem dúvida que há muita sem-vergonhice nisso, mas há também aquilo que já abordei há quase quatro anos neste mesmo espaço: a dissonância cognitiva.

O psicólogo Leon Festinger explicou que certos indivíduos se dissociam da realidade e desenvolvem uma necessidade de procurar coerência para justificar suas crenças absurdas. Diante da impossibilidade, se dá a dissonância. Ou o conflito acaba com a aceitação da realidade, ou a negação da mesma tornará o conflito permanente. O indivíduo com dissonância não apenas nega o que parece claro aos demais, como também se torna agressivo e odioso, passando a detestar quem tentar trazê-lo de volta à realidade.

De qualquer forma, Lula foi condenado em duas instâncias e deverá ser preso em breve. A realidade é implacável.