Concorrência e bairrismo

Por Cadu Doné

Com as movimentações realizadas até aqui no mercado, o elenco do Cruzeiro tornou-se ainda mais forte. Extremamente qualificado. Em função deste panorama animador, tenho recebido frequentemente perguntas do tipo: “dá para cravar que a Raposa conquistará grandes títulos na temporada”? Além da imprevisibilidade do futebol e de aspectos atrelados ao famoso encaixe do conjunto, é preciso considerar os concorrentes. Em todas as competições que enfrentarão os celestes estão – hoje, em termos teóricos, de potencial –, sim, na principal prateleira de favoritos; em patamar similar, contudo, encontram-se Palmeiras, Flamengo, Boca e River, entre outros.

Falemos do alviverde paulista. Roger – assim como Tite e Mano – em geral prefere formar suas equipes escalando, em um dos lados, um meia armador, e no outro, um atacante agudo, vertical. Com a chegada de Scarpa, o treinador poderá contemplar esta tendência em grande estilo: Felipe Melo primeiro volante; Moisés segundo homem; na linha de três meias, Dudu pela esquerda, Lucas Lima centralizado, e Scarpa pela direita; na frente, Borja ou Willian. Se no ano passado as laterais foram, para muitos, o calcanhar de Aquiles do Porco, as contratações de Diogo Barbosa e Marcos Rocha mostram-se respostas contundentes. E lembremos: na esquerda há ainda o retorno de Victor Luís, o que não apenas dá segurança no sentido de se ter por ali uma boa peça de reposição para as eventualidades de um calendário maçante como, taticamente, oferece uma alternativa bem diferente do titular; ao contrário de Barbosa, Victor prima pela firmeza na defesa, pelo poder de marcação, pela capacidade de compor a linha de quatro de maneira, digamos, mais pragmática. Raciocínio análogo pode ser aplicado, no caso da lateral direita, a Jean – a pecha de “improvisação” não pega mais

Além dos nomes já citados o plantel montado por Alexandre Mattos – e pela “Leila Crefisa”, claro – ainda possui prováveis reservas do calibre de Keno, Tchê Tchê, Bruno Henrique, Guerra, só para ficar entre os mais louvados. Apesar de o grupo de atletas do Palmeiras, em sintonia com o raciocínio neste texto exposto, de fato merecer contundentes elogios, têm sido corriqueiros determinados exageros de muitos jornalistas da mídia paulista/nacional. Vários posicionam o Palmeiras numa dimensão completamente própria, distante da do Cruzeiro. Não é por aí. Se existente uma diferença aos paulistas favorável, nesta comparação – e eu nem sei se é o caso –, ela está longe de ser grande assim. Não sou adepto de certo tipo de discurso típico/populista que alardeia o bairrismo do “eixo”. Mas que em outros termos e em inúmeras ocasiões, vigora algo como uma visão limitada, um desconhecimento, uma espécie de esquecimento, de subestimação… 

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