Mercado do Cruzeiro

Por Cadu Doné

Ao longo de 2017 falei algumas vezes que o elenco do Cruzeiro foi subestimado por boa parte da imprensa. Além do ótimo mercado feito pela Raposa, no que se refere aos jogadores que chegaram – aqui me atenho à avaliação técnica; podemos entrar na seara dos negócios, do custo-benefício em outro momento –, há um fator importante, pouco observado, que é extremamente positivo para a torcida celeste: manutenção; continuidade. O Cruzeiro perdeu, a rigor, somente um titular – Diogo Barbosa. Para a posição dele, dois nomes foram contratados. Noves fora a reposição, e deixando claro que Barbosa é bom jogador, por inúmeras razões, convenhamos, não dá para dizer que a saída dele carregue potencial de ser tão decisiva assim.

Com todos os fatores mencionados, a priori, pode-se afirmar: em termos de elenco/comissão técnica, de potencial, o cenário para o Cruzeiro apresenta-se animador para a próxima temporada. Se esta perspectiva vai se confirmar, óbvio, é outro papo. Acaso, liga entre as peças, milhões de variáveis que interferem em resultados…

A expressão “contratações pontuais” tornou-se extremamente banalizada nos últimos anos. Uma espécie de platitude. Pegando a ideia por trás destas palavras batidas, porém, temos mais um reflexo positivo para o trabalho cinco estrelas no mercado até aqui: falava-se que Mano precisava, sobretudo, de um lateral direito e um centroavante; de novo, me limitando ao exame estrito dos atributos dos atletas, e tendo em vista sempre a realidade do futebol brasileiro de clubes, Edílson e Fred me parecem duas das melhores soluções possíveis e imagináveis para estas lacunas.

Saindo do campo dos decantados defeitos do grupo, vale dizer: Hudson é bom; mas Bruno Silva é melhor. Na lateral esquerda, além das reflexões já feitas, acrescentaria que, se as duas aquisições não enchem os olhos de cara, necessário é lembrar-se da quase total inexistência de alternativas para esta função, e que até num reserva superior a Bryan a diretoria pensou – e bem. Sobre Alisson/David, apontaria o seguinte: tenho uma amostragem infinitamente maior de jogos observados do primeiro do que do segundo; por esta razão, confesso, careço das condições ideais para realizar uma comparação mais firme; dito isso, possuo a impressão de que o ex-Vitória é mais consistente do que o novo jogador do Grêmio; mais físico e completo, em certo sentido – portador, por exemplo, de capacidade superior para trabalhar fora da faixa esquerda, setor preferido de ambos.

Longe das quatro linhas, recordemos, uma contratação, esta sim, sobre a qual podemos opinar taxativamente: Marco Antônio Lage; um acerto retumbante! E no departamento médico, um nome elogiado por muita gente da minha confiança: Sérgio Campolina – não me sinto apto para avaliá-lo pessoalmente como no caso de Lage, por saber menos da área e do profissional; mas o endosso efusivo de pessoas cujas opiniões respeito bastante, confirme dito, me deixa com excelentes presságios.

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