O Rio tem vocação

O ano de 2017 vai embora sem deixar saudades em várias frentes no Rio, mas não há motivo para desanimar. Surgiu uma luz forte no fim do túnel. Vamos aos fatos.

Na área da segurança, não temos o que comemorar. A criminalidade aumentou, perdemos um número recorde de PMs, tivemos mais vítimas de balas perdidas e os bandidos ficaram ainda mais inconsequentes. Até um dado positivo, a maior apreensão de armas, não nos traz alento pois prova o quanto estão entrando mais armamentos nas divisas do território fluminense.

A saúde vive em total penúria. Seja nos hospitais federais, estaduais ou municipais a palavra mais ouvida é “falta”. Não há médicos, remédios, insumos e leitos. Mesmo com uma rede enorme, o Rio não dá conta e recebeu este ano uma enxurrada de novos pacientes com a saída de muita gente dos planos de saúde.

Nossa educação minguou ainda mais. Além da recorrente falta de investimentos nas unidades públicos de ensino, ainda tivemos o pior ano da história da Uerj. Em meio a mais uma greve, não há perspectiva de a 5ª maior universidade do país ressurgir das cinzas. Que tristeza!

No campo social, tudo piorou. O Estado quebrado, o município reduzindo ações e o federal na contingência de recursos.

A economia andou de lado em nível nacional este ano, deu tímidos sinais de melhora, mas o Rio talvez tenha sido o grande destaque negativo. O desemprego aumentou, os servidores estaduais sofreram com salários atrasados, a violência afasta empresas e falta gestão competente para mudar essa realidade.

E a corrupção? Ah, é neste campo em que se encontra a nossa luz no fim do túnel. As canetadas firmes do Juiz Federal Marcelo Brêtas e o magnífico trabalho da força-tarefa da Lava Jato (leia-se Ministério Público Federal e Polícia Federal) foram um capítulo à parte em 2017. Em toda a sua história de mais de 450 anos, o Rio nunca viu um combate tão árduo contra os desvios de verba pública. Quem imaginava ver Sérgio Cabral completar um ano preso? Quem cogitaria assistir vários sócios de Cabral no crime seguindo o mesmo rumo de Benfica? Muitos poderosos, milionários, membros da alta sociedade carioca, pretensos intocáveis. Chegamos a ter três ex-governadores nas celas ao mesmo tempo. Apesar das decisões libertárias do ministro do STF Gilmar Mendes, é inegável o resultado expressivo das ações. A sociedade carioca precisa apoiar, se envolver, se manifestar, criar engajamento prático nessa luta e dar uma resposta nas urnas em 2018 a tudo que estamos vendo de perto.

Como disse o Juiz Bretas à jornalista Thaís Dias da BandNews FM, a “Lava Jato está longe de terminar no Rio. Quem viver, verá”. Mesmo com todas as mazelas mencionadas acima do nosso Rio de Janeiro, queremos viver nesta Cidade Maravilhosa para ver isso acontecer. E não tenhamos dúvida que o resultado só poderá ser melhor do que status quo.

Apesar das forças políticas insistirem em destruir o Rio, temos vocação para nos regenerar, nos reconstruir e colocarmos a cidade no lugar onde merece. Como a Fênix, um pássaro que segundo a mitologia grega ressurge das cinzas depois da autocombustão.