Não tugiu nem mugiu

A prudência mineira sempre recomenda que o pior assessor é aquele que não consegue interpretar a intenção do chefe. E que torna as coisas piores quando quer agradar ao chefe. O novo ministro da secretaria de governo e articulador político do presidente Temer, Carlos Marum, não sabe disso. Nem parece saber também que a truculência não é a melhor maneira para alcançar soluções, sobretudo nos regimes democráticos e num governo frágil como uma folha de parreira. Novo no cargo e membro destacado da tropa de choque do presidente, Marum recebeu ontem uma grave advertência dos governadores do Nordeste que enviaram uma carta a Temer acusando o seu ministro de os ameaçar para aprovar a reforma da Previdência. Segundo os governadores, Marum os constrange ao submeter a ajuda deles para aprovação da reforma à possibilidade de conseguirem empréstimos ou financiamentos do governo federal.  E ameaçam ir ao Supremo Tribunal Federal com uma queixa-crime contra o ministro. Para Marum, o que há uma questão de “reciprocidade”.

O governo ajuda os governadores, que ajudam o governo, como se isso fosse uma coisa absolutamente natural – se não fosse cínica. Oito governadores nordestinos assinam a carta. São do PT, PC do B e PSB, mas também dois do PMDB. Dois outros não assinaram. Os governadores de Minas normalmente assinam cartas ou documentos junto com os seus colegas do Nordeste em função de um quinto do território mineiro estar na área abrangida pela Sudene, o chamado polígono mineiro da seca. Contudo, desta feita o governador Fernando Pimentel não foi consultado pelos governadores nordestinos, em que pese a dificuldade financeira do Estado e a sua necessidade de caixa.

Segundo a assessoria do governador, Pimentel concorda que não se deve misturar apoio ao governo federal com temas debatidos no Congresso Nacional. Marum, além da tropa de choque de Temer, é membro destacado do chamado baixo clero, um grupo de deputados, não por acaso de baixos níveis teóricos do que significa fazer política. E de como exercer o mandato outorgado pelos seus eleitores – aliás um dos problemas de nossa representação parlamentar. O Planalto diz que não recebeu a carta dos governadores e Marum até a noite de ontem nem tugiu nem mugiu, para usar uma expressão tipicamente mineira, como o início desta coluna.