Gole de pisco sour para comemorar

Tenho inveja do Chile. Uma inveja boa, não destrutiva, cheia de admiração pelo que o país se transformou nos últimos 40 anos. Um país de economia aberta, de empreendedorismo e livre iniciativa onde inexistem privilégios no setor público e na classe política. Enquanto boa parte da América Latina escolheu o equivocado caminho do socialismo intervencionista e da corrupção endêmica nas últimas décadas, os chilenos foram na contramão e colocaram sua nação nas melhores posições de qualquer ranking regional ou mesmo mundial. O que eu queria mesmo é que o Brasil fosse mais parecido com o Chile do que com a Venezuela. Que fizesse escolhas mais chilenas do que cubanas. E que a cada quatro anos não corresse o risco de escolher os mesmos corruptos, patrimonialistas e socialistas camuflados de sempre. Lá, populistas podem chegar ao poder, mas têm amarras que os impedem de deixar bombas espalhadas pelo caminho.

Certa vez, em viagem que fiz ao Chile, questionei um cidadão sobre a educação, a segurança, a organização, a baixa carga tributária, a prosperidade, o desenvolvimento humano, a baixa corrupção, tudo tão diferente do restante da América Latina. Ele me respondeu ironicamente: “Talvez a Cordilheira dos Andes tenha tido um efeito benéfico para nós”. Rimos juntos.

O Chile entrou no páreo com o golpe militar de 1973, que destituiu Salvador Allende, o presidente marxista financiado pela União Soviética e apaixonado por Fidel Castro, que transformara o país no inferno na terra: inflação descontrolada, desabastecimento, violência, greves, fome. O Chile estava virando uma Cuba ou Venezuela. Já a ditadura Pinochet fez profundas e liberalizantes reformas econômicas, destravando a nação. Mesmo os presidentes civis que vieram depois – e lá se vão 27 anos – não tiveram a ousadia de esculhambar o país.

Nesse último domingo, pela segunda vez, Sebastián Piñera foi eleito presidente. É um empresário e conservador no espectro político. Já havia presidido o Chile entre 2010 e 2014. Há dois anos lidera a aliança de centro-direita “Chile Vamos”, diferente do intervencionismo dos socialistas e em certa medida dos democratas-cristãos. Quer reduzir o Estado, diminuir impostos e elevar a prosperidade das famílias.

Um gole de pisco sour para comemorar!