Previdência vira novela

Por Carlos Lindenberg

Será hoje ou melhor deixar para amanhã? Esse o dilema do presidente Temer que ainda não sabe se coloca para votar o projeto de reforma da Previdência hoje ou se deixa para segunda-feira, fazendo disso uma novela que vem sendo anunciada desde o mês de setembro. E por que isso? Por que o governo não tem no plenário votos suficientes para colocar o projeto na pauta e fica dependendo de favores que deve prestar para ter alguma coisa em troca. Ontem mesmo, Temer liberou R$ 2 bilhões para prefeituras do interior do país sob a condição de que os prefeitos pressionem seus deputados para que votem a favor da reforma. Mais do que novela, a necessidade de o governo aprovar a reforma virou uma obsessão.

Para aprovar a matéria o governo precisa de 308 votos. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se recusa, no entanto, a colocar o projeto em pauta se não tiver pelo menos 330 deputados apoiando o projeto. Ele quer se precaver. Vai que alguém não comparece ou simplesmente vota contra? Seguro morreu de velho, diz o ditado popular, e com isso o projeto empacou a tal ponto que ontem o senador Romero Jucá, líder do governo no Senado, foi desautorizado pelo presidente da República por ter dito que a reforma ainda não tem votos suficientes na Câmara e que a reforma vai ficar para 2018. Pra quê! Em cima da fumaça, Temer mandou sua assessoria desmentir Jucá e reafirmar que o projeto pode entrar em pauta ainda este ano, a depender de questões regimentais – ou seja, o governo vai dar um nó no regimento para colocar a reforma em pauta ainda este ano. E tudo isso por que todo mundo no governo e no Congresso sabe que o projeto é antipopular e os deputados têm receio de votá-lo em ano de eleição.

Outro assunto que entrou em pauta ontem foi o julgamento do ex-presidente Lula, marcado pelo TRF-4, para 24 de janeiro – data em que se completam doze meses da morte de dona Maria Letícia, esposa de Lula. A celeridade do processo vem assustando a defesa do ex-presidente que quer saber quantos processos estavam na frente do de Lula antes que o TRF marcasse o julgamento para dia. De qualquer maneira, parece pacífico que se cair na lei da Ficha Limpa Lula poderá entrar com novos recursos e até concorrer sub-júdice. O que seria arriscado, no mínimo. E se na última hora ele perder a chance de disputar a eleição? Quem seria o indicado por ele? O ex-presidente correria esse risco? 

Contenido Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo