O holocausto ucraniano

Por Diego Casagrande

Foram muitos milhões os mortos pela grande fome ocorrida na Ucrânia nos anos de 1932 e 1933. Estimativas moderadas contabilizam de 4 milhões a 5 milhões. Habitantes da região considerada celeiro da Europa, os ucranianos foram trucidados pelos comunistas. A falta generalizada de alimentos, os fuzilamentos coletivos ou o envio para os gulags – os campos de concentração soviéticos – transformaram o país de grande produção agrícola em uma pocilga empobrecida que empilhava cadáveres.

Em 1920, a Ucrânia foi anexada pelos comunistas russos. País de cultura e tradições fortes, viveu com relativa normalidade e autonomia a primeira década sob domínio vermelho, continuando a produzir alimentos em profusão. Ocorre que quando Stálin consolidou seu poder interno na URSS, decidiu impor uma dura conta para os ucranianos pagarem: a coletivização das terras e o confisco de toda a produção agrícola. O solo mais fértil da Europa se transformaria em um inferno na terra.

A tragédia humana que se seguiu à implantação do socialismo real na Ucrânia foi batizada de “holodomor”, ou “morte por fome”, na língua local. Trata-se de um dos períodos mais nefastos da história contemporânea, em grande medida ignorado. Quem lembra de ter estudado isso na escola? Quem lembra de ter feito alguma pesquisa sugerida pelo professor? As escolas, a Academia, a imprensa, os ambientes culturais sempre cumpriram o sórdido papel de esconder a história, visto que comprovaria a absoluta ineficácia do socialismo já nos seus primórdios. Como bem exemplificou o escritor Percival Puggina, é a “pedagogia do silêncio”.

“A minha família foi destroçada, tanto de pai como de mãe” me contou Jurij Jancenowski, filho de ucranianos nascido na Áustria. O conheci na semana passada, na abertura da exposição “Holodomor – Genocídio Ucraniano”, na ADVB. A cientista política Fernanda Barth e dezenas de pessoas que prezam a liberdade fizeram uma vaquinha para trazer o singelo evento a Porto Alegre, que foi solenemente ignorado pela maior parte da imprensa. Ironicamente, a mostra fica ao lado do Memorial Prestes, que teve grande visibilidade quando da sua vergonhosa inauguração. Prestes foi um assassino frio e agente da União Soviética. A explicação talvez resida aí.

A exposição estará na capital até 15 de dezembro.

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