Cadê meu presente?

Por José Luiz Datena

Sério, se eu tivesse que pedir um presente para o Papai Noel, pediria um candidato, um só pra poder votar. Afinal, sou um cidadão bonzinho o ano inteiro. Não corrompi nem nunca fui corrompido por ninguém, não roubei nem matei nem fui condenado e fiquei só um pouquinho na cadeia que nem dono de empreiteira corrupto e sai de lá com uma baita grana suja e, claro, nunca declarada. Não fui eleito e nem trai o povo com, no mínimo, promessas jogadas ao vento.

Poxa vida, claro que eu, como você, merecíamos alguém que nos representasse de verdade no Congresso Nacional. Pô, deste jeito, se não aparecer nem sequer um candidato, vou até desconfiar que Papai Noel não existe. Ou, no mínimo, roubaram seu trenó no caminho do Polo Norte pra cá. Afinal, nem o bom velhinho escapa dessa. Aliás, quanto será sua aposentadoria? A mesma dos velhinhos brasileiros? Se for, está justificado que não consiga trazer meu candidato, não sobrou grana para a comida das renas, se bem que, se aprovada a reforma da Previdência, a gente vai se aposentar com a idade dele: no mínimo 120 anos pra conseguir o mínimo da esmola do governo.

O Natal está mais triste. Vendedores de braços cruzados nas lojas dos shopping onde as pessoas procuram mais emprego que presente pra comprar. Desconfio mesmo que o fato de não ganhar um candidato de presente seja o mesmo que roubou as cores e alegria do Natal deste ano. O Brasil está cinza de vergonha com tanta roubalheira e falta de leis que coloquem esses traidores do povo na cadeia.

Bem, o fato de não ter candidato, não muda nada. Ainda acredito no Papai Noel. Eu não acredito mais neles.

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