Governo aprova reforma ‘aos 45 do 2º tempo’

A expectativa do Planalto, como tem acontecido em votações cruciais, é de aprovação da reforma da Previdência, ainda que “aos 45 minutos do segundo tempo”, diz um ministro. São necessários 308 votos para aprovar a emenda na Câmara, e o governo contabiliza ao menos 320. Líderes acham que os deputados já se convenceram da necessidade da reforma. E eles confiam na memória curta do eleitor para aprová-la.

Comida milagrosa
O jantar de domingo mudou a atitude do anfitrião, Rodrigo Maia, que só fazia conta de diminuir. Agora ele confia na aprovação da reforma.

Só pensa naquilo
Após jantar com o presidente Michel Temer e líderes aliados, Rodrigo Maia disse não fazer “contagem de votos”. Lorota, não faz outra coisa.

Fazer política cura
Aliados se empolgam com a disposição de Temer, em várias reuniões ao dia. Mal percebem que essa rotina produz nele efeitos terapêuticos.

Mais do mesmo
Não é a primeira vez, nem a última: faz parte da rotina do Congresso aprovar matérias importantes no “apagar das luzes” do ano legislativo.

Câmara vai finalmente exterminar seus escorpiões
Após mais de cem registros de escorpiões, a Câmara dos Deputados decidiu dedetizar as áreas infestadas e também todas as suas dependências, a fim de exterminar os bichos antes que um servidor, visitante ou parlamentar venha a ser vitimado pelo seu veneno letal. Principal local alvo da dedetização, no Anexo 4 (conhecido por “Serra Pelada”) os insetos caíram sobre as pessoas até nos elevadores.

Disputa peçonhenta
Na Câmara, a piada é que os escorpiões evitam o plenário porque ali a concorrência é forte. O local também será dedetizado no dia 16.

Burocracia vencida
A dedetização da Câmara será feita em três fins de semana. A providência somente foi tomada após esta coluna divulgar o fato.

Todos passam bem
Escorpiões capturados não podem ser eliminados antes de a Zoonoses identificá-los para “registro estatístico”.

ANP boicotou reunião
Só a Agência Nacional do Petróleo (ANP) não mandou ninguém à reunião, durante toda sexta (1º), de três ministérios com investidores (que representam R$500 bilhões) para discutir a cessão onerosa da Petrobras. A ANP anda perdida como cachorro em dia de mudança.

TRF4 julga Lula em 2 meses
A expectativa no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) é que o recurso contra a condenação de Lula a 9 anos e meio de cadeia seja julgada em 60 dias, talvez meados de fevereiro, março no máximo.

Nada mais tucano
Para o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Trípoli, é “falta de respeito” e “ingratidão” do governo federal não apoiar Alckmin para presidente. Ou seja, os tucanos acham que o governo não os merece, mas a turma de Michel Temer tem a obrigação cívica de apoiá-los em 2018.

Dino não decola
Pesquisa Vox Populi no Maranhão aponta empate entre Flávio Dino (PCdoB), com 37%, e Roseana Sarney (PMDB), 35%, para o governo. No poder há 3 anos, Dino tem feito uma gestão considerada medíocre.

Caixa (preta)
A Caixa distribuiu apenas R$4 bilhões em prêmios, até novembro, e promete distribuir mais R$220 milhões na virada do ano. E arrecadou com loterias R$12 bilhões. Precisa explicar o que fez com o resto.

Experiência grega
A idade média de aposentadoria na Grécia era de 61,9 anos, e o país quebrou. Foi obrigado a aumentar a idade mínima para 67 anos. Lá, aposentadoria integral só após os 37 anos de contribuição.

Oportunidade perdida
O relator Carlos Marun (PMDB-MS) acha que, ao recusar convite da CPI da JBS, Rodrigo Janot “perde a oportunidade de esclarecer o acordo de delação premiadíssima com os irmãos Batista”. Ele apresentou requerimento transformando o convite em intimação.

Noel Meirelles
O ministro Henrique Meirelles (Fazenda) previu para 2017 o “melhor Natal dos últimos anos”. Para ele, a recuperação do emprego já é uma realidade e será sentida de forma mais forte nas festas de fim de ano.

Pensando bem…
…governo não pode fazer comercial pela reforma da previdência, mas quem não quer perder privilégios faz propaganda contra o governo.

Poder sem pudor
Simon e seu acento

Quando chegou ao Senado, em 1974, o senador gaúcho Pedro Simon estreou sob o signo da dúvida: como se deveria pronunciar corretamente o seu sobrenome? A pergunta interessava até às taquígrafas. Logo no primeiro dia Simon fez um discurso, já sublinhando as frases com gestos marcantes, teatrais. Atacava duramente a ditadura. O senador Jarbas Passarinho, governista, com ar grave, pediu um aparte.

– Gostaria que V. Exa. esclarecesse de uma vez por todas: afinal, como devemos chamá-lo? Símon ou Simón? Seu acento é na frente ou atrás?

O plenário caiu na gargalhada. E Simon não respondeu.