A reforma murchou

Não durou nem 24 horas a reforma ampla e profunda que o presidente Temer prometeu fazer ao acusar a pressão do “centrão” e à primeira ameaça de desembarque do PSDB de seu governo. Terça-feira, Temer reuniu-se pela enésima vez com as lideranças de sua base parlamentar e não impediu que o senador Romero Jucá, líder do governo no Senado, anunciasse uma reforma até então inimaginável e surpreendente para um governo frágil como o atual: Jucá, que acabara de estar com Temer, anunciou uma mudança nos 17 dos 36 ministérios.

Pois bem. Ontem, porta-vozes do presidente disseram que Temer pensou melhor e resolveu mexer em poucos ministérios. E vai preservar dois deles apenas para que não percam o foro privilegiado, ou seja, o governo continua se movendo por questões menores como essa de preservar o foro privilegiado do ministro do Desenvolvimento, o bispo da Igreja Universal, Marcos Pereira (PRB), e o ministro Gilberto Kassab (PSD) de Ciência, Tecnologia e Comunicações – ambos são investigados pela Lava Jato e se fossem dispensados seriam enviados para o juiz Sérgio Moro. Na verdade, não é que Temer tenha pensado melhor. Ele foi alertado pela sua base de apoio de que não ficaria bem jogar os dois ministros aos leões.

Por raciocínio semelhante, Temer resolveu também não fazer a reforma do tamanho que foi anunciada pelo senador Romero Jucá. Longe de mexer em 17 ministérios, como se falou de início, a ideia do governo agora é de mexer o mínimo possível na equipe, até por que há outros ministros também denunciados ao STF, como o próprio Moreira Franco (Secretaria da Presidência), Eliseu Padilha (Casa Civil)  e o tucano Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores). Pelo visto, e por sentir a reação da base, a reforma do presidente vai se restringir ao feudo tucano, vale dizer, o Ministério das Cidades, cujo titular, Bruno Araújo já saiu, e a secretaria de governo, ocupada pelo baiano Antônio Imbassahy, mas que poderá também ser trocado de lugar para agradar o “centrão”. A verdade é que Temer tornou-se refém do grupo, que possui de 250 a 260 deputados, fisiológico e clientelista, criado pelo ex-deputado Eduardo Cunha, mas que vem segurando todos os problemas do governo na Câmara. É por esse grupo que Temer se guia e pela sua reação ontem é que ele não vai fazer a reforma ministerial que pretendia, até porque é esse grupo que poderá aprovar ou não a reforma da Previdência.