As razões da reforma

O presidente Michel Temer pode até não consegui fazer a reforma da Previdência. Mas sem dúvida vai fazer a reforma ministerial pela qual está sendo cobrado pelos deputados que por duas vezes salvaram o seu mandato. Temer foi questionado ontem pelo líder do PP na Câmara, deputado Arthur Lira, que no dia anterior se recusou a reunir-se com o presidente sobre a reforma ministerial que ele havia prometido logo após a votação da segunda denúncia, e que não acontecia. O presidente tentou dissuadir o líder do PP para que esperasse até janeiro, mas acabou cedendo e prometeu fazer a reforma ainda este mês, quem sabe após o feriado de 15 de novembro.

O que está incomodando a base aliada é a presença do PSDB no governo. Os tucanos ocupam quatro ministérios – Cidades, Relações Exteriores, Secretaria de Governo e Direitos Humanos – mas na hora de votar em favor do mandato de Temer dos 46 deputados tucanos só 20 votaram com o presidente. Enquanto isso, o Centrão, que abriga partidos menores, mas que têm nada menos de 150 a 160 deputados, votam fechados com o governo. Foi assim na primeira denúncia, foi assim também na segunda, e poderá ser assim também no caso da reforma da previdência, embora neste caso o PSDB também deverá votar com o governo.

Se de um lado o Centrão pressiona Temer, de outro o PSDB também incomoda o presidente com a ideia defendida, entre outros pelo ex-presidente Fernando Henrique, de deixar o governo. O primeiro a defender o desembarque é o atual presidente interino do partido, senador Tasso Jereissati, que, por sinal, lançou ontem sua candidatura à sucessão do afastado do cargo, Aécio Neves. Que, por sinal, lançou também ontem a candidatura do governador Marconi Perillo, de Goiás, para manter a influência sobre o partido, .

Ontem, ao lançar a sua candidatura, Tasso lembrou que o partido nasceu de uma dissidência dentro do próprio PMDB e pelas mesmas razões das de hoje: a corrupção. O que deixa o senador Aécio Neves numa saia justa danada, a menos que ele prove no tempo mais curto possível que as denúncias contra ele são improcedentes. O fato é que pela pressão interna tanto do Centrão como do PSDB Temer vai finalmente mexer no ministério, ainda que contra a sua vontade. Como sabe que precisa do Centrão mais do que nunca para tentar votar a reforma da Previdência, Temer mais uma vez cedeu.