Nossas crenças, nossa ruína

O brasileiro vive de sonhos. Não importa se rico ou pobre, grau de escolaridade, nosso povo é autoiludido, ingênuo, pois crê que o governo é a solução para seus problemas. O brasileiro acredita que o “controle estatal” das coisas, das relações comerciais e até da existência, torna a vida de todos melhor. Achamos que a virtude está em uma regulação governamental. O Estado controla o petróleo, a energia, a água, o saneamento, a saúde, a educação, os correios, os impostos, os transportes, os negócios, os empregos, etc. Tem o dedo do governo em quase tudo e o país não deslancha. Ainda assim, os brasileiros veem o governo como um super-herói capaz de nos salvar.

Vou dar um exemplo típico. Quantas vezes você já ouviu alguém dizer que o preço dos estacionamentos no centro da cidade está elevado e deveria ser tabelado pelo governo? Na cabeça do brasileiro médio os governos não só podem como devem se meter na vida da gente cada vez mais. Não se dão conta que a falta de dinheiro no bolso é culpa justamente do governo, que desequilibra o mercado e torna tudo mais complexo, burocrático e caro.

Na semana passada, o Senado alterou o PLC 28, aprovado na Câmara e, ao menos por hora, garantiu a existência dos aplicativos de mobilidade urbana como Uber, Cabify, 99POP e todos os outros que surgirem daqui para frente. A regulamentação aprovada pelos deputados iria criar tantos controles e taxas que inviabilizaria os serviços. Previa placa vermelha, exigência de motorista dono do carro, de rodar em uma única cidade e ainda a autorização e controle das prefeituras. Tudo isso caiu! E teve gente que defendeu. Acreditam que uma prefeitura cobrar taxas, fazer exigências e botar um carimbo melhora a vida das pessoas. Estultice!

Os aplicativos estão aí para provar que a vida fica realmente melhor quando o controle é feito pelos consumidores e não pelo governo, que quando se mete perturba sempre, aumenta custos, diminui o empreendedorismo e gera desemprego estrutural. Para sermos um país com mais oportunidades é preciso mudar o mindset coletivo, a forma de enxergarmos as coisas.

O brasileiro tem uma tara doentia pelo poder do governo. É hora de acordar deste pesadelo. Nossas crenças estatizantes estão arruinando o futuro. Não há saída sem liberdade econômica.