A Lista de Janot

Por João Victor Santos

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Vinte e quatro horas após o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, pedir ao STF a abertura de investigação contra cinco de seus ministros, o governo tentava reagir ontem com uma reunião fora de agenda para debater, com o presidente da Câmara e o do Senado, ambos também na “lista de Janot”, mais o presidente do TSE, Gilmar Mendes, o decantado tema da reforma política. Nada mais desproposital, ainda mais que pelo país afora, em todas as capitais e cidades de diversos portes, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar contra as reformas previdenciária e trabalhista, num “Fora Temer” gigantesco. Reforma política, numa hora dessas? É o jeito Temer de governar. O governo usa essa dissimulação para passar à opinião pública a ideia de que, no caso, a iniciativa de Rodrigo Janot não causou nenhum estrago internamente.

É evidente que não segue. A “lista de Janot” não significa a condenação prévia de ninguém. Na verdade é um pedido de investigação, mas também não deixa de ser um estrago político para quem nela está, embora quase todos os nomes que foram divulgados extraoficialmente já eram de certa forma esperados. Ainda assim, não deixa de causar perplexidade quando se vê o Procurador Geral da República pedir ao Supremo para investigar dois ex-presidentes da República, Lula e Dilma, os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, os ministros Eliseu Padilha, Moreira Franco, Aloysio Nunes, Gilberto Kassab e Bruno Araújo, e os senadores Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, Renan Calheiros, José Serra, Romero Jucá e Edison Lobão. Embora citado pelo noticiário como alvo de 43 delações de ex-dirigentes da Odebrecht, o presidente Temer não entrou na lista, embora ele e a ex-presidente Dilma estejam sendo investigados pelo TSE, a pedido do PSDB, por uso do poder político e econômico na campanha de 2014.

A divulgação da “lista de Janot”, na verdade e apenas por coincidência, dois temas que estão tirando o sono de boa parte dos políticos de Brasília. Um é esta questão que envolve a investigação da chapa Dilma/Temer. Se o TSE seguir a sua jurisprudência e o tribunal achar provas de uso do poder político e econômico na campanha, Temer poderá perder o cargo e Dilma os direitos políticos. O outro drama vivido pelo mundo político e não só de Brasília é o uso do caixa dois nas campanhas eleitorais passados. Deputados e senadores, principalmente, tentam sair dessa armadilha, desde que o senador pemedebista Waldir Raupp virou réu no Supremo por ter feito uso do caixa um, contabilizando o que recebeu da empresa Queiroz Galvão. Se o STF concluiu preliminarmente que o caixa um é propina, imaginem o caixa dois! Por tudo isso, o consumo de Lexotan em Brasília deve estar altíssimo.

Carlos Lindenberg é jornalista, colunista do Metro Jornal e comentarista da TV Band Minas. Escreve no Metro Belo Horizonte.

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