O jornal “pegou”...

Por fabiosaraiva

antonio-carlos leite colunista A cena ocorreu no início de uma mesa-redonda sobre as redes sociais, numa faculdade de Vitória. Um dos jornalistas convidados para o debate perguntou para a plateia, formada por jovens estudantes de Jornalismo: “Quem aqui lê jornal impresso?”. Não se sabe exatamente se a pergunta foi feita apenas por curiosidade ou se a intenção era comprovar a decadência da mídia impressa diante do crescimento da internet. Mas foi evidente a surpresa do jornalista diante das dezenas de braços erguidos à sua frente. A surpresa seria menor se ele tivesse ouvido o relato de um professor de Publicidade da mesma faculdade, dias antes: “Chego cedo, por conta de compromisso pessoais. Vejo os alunos entrando para as aulas. E muitos deles chegam lendo o Metro. O jornal conseguiu algo, para mim, impensável: fazer essa nova geração ler jornal impresso”.

O Metro ainda não chegou a um ano de existência. É um bebê, principalmente se comparado às dezenas de anos de existência e tradição de outros veículos da Grande Vitória. Mas, como se diz no jargão do jornalismo, o jornal “pegou”. Até bem pouco tempo, a reação do interlocutor quando se falava sobre o jornal era: “Metro?”, num misto de desconhecimento e curiosidade. Hoje, a maioria das pessoas reage relatando a reação dos leitores nas ruas, abrindo a janela de seus veículos e balançando os braços para receber seu exemplar. Mas também comentam sobre o painel rápido das informações, a objetividade das reportagens, a leveza de vários textos, o cuidado gráfico, tanto da produção das páginas quanto da impressão dos exemplares.

Não é fácil um jornal “pegar”. São muitos os casos de publicações nascidas para com estardalhaço e submersas, pouco tempo depois, num certo ostracismo – seria deselegante citar exemplos. Os motivos são vários: falta de sintonia com o público, equívocos editoriais, erro no modelo de negócio, ausência da apoio publicitário. O Metro, já foi explicado aqui, é baseado num modelo de negócio inovador e numa base editorial simples: notícias rápidas, edições enxutas, informação gratuita, tudo dentro da perspectiva do mundo atual e dos hábitos de consumo de informação das novas gerações. Os anunciantes parecem entender cada vez mais essa proposta. E a prova disso é a edição de hoje, elevada para 32 páginas para acomodar o grande número de anúncios. Talvez entendessem ainda mais se pudessem constatar, de forma prática, a aceitação de um jornal é que “pegou”. Como foi visto naquela manhã, numa faculdade de Vitória…

Antonio Carlos Leite é jornalista há 26 anos. É diretor de Redação do Metro, diretor de Jornalismo da Sá Comunicação e escreve às sextas-feiras neste espaço.

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