Eliminação por racismo seria mancha na história

Por fabiosaraiva

leonardo-meneghetti-colunistaO Grêmio precisava realmente tomar uma providência para acabar com a série de problemas causados pela Geral. E, como foi omisso durante dois ou três anos, precisou adotar uma medida drástica. Não faltaram alertas, episódios lamentáveis, e até punição o clube já sofreu pelo comportamento desta torcida. O atraso em agir poderá custar caro. Talvez um dano moral irreparável que marque esta gestão e entre para a história triste do Grêmio. Se no julgamento de hoje o Grêmio for eliminado da Copa do Brasil por racismo esta notícia irá correr o mundo. E o abalo à imagem do clube  significará o maior vexame da história tricolor. Mas eu penso que isso não se confirme. Seria um exagero!

Vamos ver se a suspensão terá eficácia e por quanto tempo será mantida. Ontem, por exemplo, o site da Geral funcionava a pleno vapor, ignorando uma das sanções aplicadas. A proibição da marca intelectual do clube, conforme a nota oficial emitida pelo Conselho de Administração, parece ainda não estar em vigor. Há inclusive um banner dentro do site desta organizada que remete à página oficial do Grêmio para adesão de novos sócios. Ou seja, a nota ainda não saiu do papel!

Levando-se em consideração que a torcida gremista é reincidente nesta questão, e que o clube nada fez meses atrás quando este problema aconteceu durante um Gre-Nal, entendo que a punição seja inevitável. Mas com racionalidade. Uma rigorosa perda de mando de campo, que agride também a torcida, e a exigência de providências, algumas já tomadas, ficariam de bom tamanho. Mas eliminar o clube de uma competição, prejudicar dezenas de profissionais que lá trabalham, porque uma torcedora cometeu esta barbaridade, é um exagero. O Grêmio corre o risco de pagar de forma rigorosa a conta de um problema social do País. Há uma mobilização nacional contra o clube gaúcho neste momento.

Não acho que a menina, inconsequente, seja vítima e muito menos que não mereça ser julgada por seus gritos ensandecidos. A exclusão da torcedora, e dos outros que também gritaram macaco, de jogos do Grêmio, além do processo criminal na justiça comum, também seriam adequados. Mas ameaçar a integridade física ou atacar a casa desta torcedora não se justifica e também é um ato que não pode ser respaldado.

Não considero um ato racista quando torcedores gremistas gritam “macacada” para torcedores do Inter. É sim pouco inteligente isto ter sido repetido agora, justamente quando o País, exageradamente, rotula o Grêmio de clube racista. O Inter adota o macaco como um de seus símbolos. Do lado de cá e do lado de lá os cânticos são todos provocativos, deselegantes e impublicáveis. O problema é que alguns torcedores gremistas passaram a fronteira do razoável. E isso aconteceu mais de uma vez, sem que a Direção tomasse alguma atitude. A lentidão da providência talvez tenha um custo histórico à imagem do clube. Histórico e irreparável. Uma marca negativa que ameaça cair como uma bomba para o Presidente Fábio Koff.

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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